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Capítulo 5 — A Profecia da Tempestade

Lurdes pega a xícara e tenta desvendar os códigos do destino, só que dessa vez encontra uma dificuldade mais em sua leitura.

Carolina a indaga:

- Por que a demora Lurdes?!

- Calma menina Carol, vamos ver qual é o rumo que o destino está tomando!

- Desculpe a ansiedade, mas você nunca demorou tanto para começar a falar!

- Cada leitura tem o seu próprio tempo, e dessa vez há algo de diferente, está mais nebuloso, só consigo ver uma parte, a outra parece que está escondida, e não deseja se revelar agora, talvez porque ainda não foi selada.

- Anda logo Lurdes, o que você está vendo, é uma coisa muito ruim?!Diz Carolina rindo.

O clima de mistério fica ainda mais intenso na cozinha da ‘Fazenda Robles’….

- Eu vejo um homem… Diz Lurdes olhando para a borra do café, e Kiki a interrompe.

- Todo mundo sabe que é o Rodrigo!!!

- Não Kiki, esse homem não é o peão Rodrigo, esse homem aqui não é um simples peão, ele vem de berço, tem classe, nunca soube o que era pegar uma enxada nas mãos.

De dentro da cozinha é possível ouvir os trovões, a tempestade está chegando, e isso deixa Carolina espantada…

- Que homem é esse Lurdes?!

- A tempestade, ele é como essa tempestade, vai chegar com trovões, e vai bagunçar a sua vida…

Mais trovões, e a chuva começa a cair, com gotas pesadas, é possível escutá-la, como uma sinfonia…

- Esse homem, ele não está longe, pelo contrário está perto, na verdade ele está a caminho…

- Pare com isso Lurdes, você sabe muito bem que eu só tenho olhos para o Rodrigo, e para mais ninguém.

- Não é uma questão de olhos, é uma questão de tempo, ele está vindo, e repito, ele é a tempestade da sua vida, virá, derrubará tudo, transformará a sua vida em um inferno, mas não se aflija, depois da tormenta vem a calmaria!

- E quem é esse homem, me responda?!

- Ele guarda um segredo, e está sofrendo, precisa de ajuda. Você será como o farol dele, a luz no fim só túnel… Você não pode abandoná-lo!

- Para com isso Lurdes, dessa vez essas previsões estão fora de realidade! Eu não conheço ninguém com essas suas descrições aí!

- Mas eu já disse menina Carol, você ainda não o conhece, mas eu não sei como, esse homem já sabe da sua existência, e vai procurá-la! Mas ele traz sofrimento com ele, ele te fará chorar…

- E mais o que, dona Lurdes?! Pergunta Lindinha.

- Há uma mulher, ela não é boa, essa mulher também traz segredos, mas não te fará nenhum bem, pelo contrário, veio para atrapalhar o seu caminho.

- Que mulher Lurdes?!

- Uma bela mulher, o que ela tem de bela tem de má! Esse homem, ele trará essa mulher até você! Ele está com ela, e ela está com ele, possuem uma ligação muito forte, e entre os dois, está você, senhorita Carolina.

- Isso é loucura, eu entre um homem e uma mulher?! Não faz sentido pra mim!

- Mas fará em breve. E a sua sombra, essa que eu sempre te falei, a que é parecida com você.

- Ha não! Não começa a falar dessa tal sombra, por favor, isso me aterroriza, não sei o que significa!

- Não posso fazer nada menina Carol, ela está entrelaçada com o seu destino, uma está na outra, não tem como separar!

- Essa sombra, é alguma sobrenatural?

- Não, ela é bem real, e um dia ela se apresentará, e conseguirá enganar a todos.

- Cruzes Lurdes, para de falar isso, não quero mais saber de nada, acho que até aqui essas suas crendices chegaram. Acho melhor dá um basta…

Um pouco espantada com as revelações Lurdes, Carolina decidiu ir direto para o seu quarto.

Lurdes por sua vez ficou espantada com o que viu na borra do café, e não queria que aquele destino fosse cumprido, mas era tarde demais, nada poderia ser feito para impedir a força do destino…

Chegando em seu quarto, Carolina tenta esquecer todas as palavras ditas por Lurdes, mas não tem como.

Ela vai até a sua cômoda, abre a terceira gaveta, e pega um porta-retrato com a foto da sua mãe, e aperta-o contra seu peito…

- Por que mãe? Por que você foi embora e me deixou aqui sozinha?!!!

Carolina tem uma lembrança de infância, onde a sua mãe manda ela ter cautela…

Ainda quando era uma menina, Delfine passeava com ela pela fazenda, elas sempre frequentavam um rio de águas mansas e cristalinas que havia pertencia as Terras dos Robles.

- Filha, quando você ficar adulta vai entender tudo, tudo mesmo, vai entender porque o papai não mora mais com a gente…

Carolina olha para o rio, e pergunta para Delfine:

- Mamãe, porque o papai nunca gostou de mim?

Delfine se agacha para falar com Carolina….

- Filha, não fique assim! Não se importe com o seu pai! Eu amo tanto você, que o meu amor vale por dois! Enquanto eu viver, eu te prometo ele não te fará nenhum mau! E você tem que se lembrar disso! Ele vai tentar alguma coisa, por isso você terá que ser uma menina forte, e nunca deixar ele te fazer mal! Por isso minha filha, corra, corra, e corra o mais rápido que puder, não deixe que ele te alcance! Fuja, se esconda, mas nunca confie no seu pai, ele não é uma boa pessoa!

- Por que não mamãe?! Por quê?

- Porque assim é a vida Carolina, as vezes você encontra boas pessoas, e as vezes você encontra pessoas ruins! Você tem que manter essas pessoas boas do seu lado, e tirar todas essas que não ti fazem bem, porque senão, você nunca será feliz, e é pra isso que Deus fez as pessoas Carolina, para serem felizes.

- Eu sei por que ele não gosta de mim! Porque eu sou negra!

- Não minha filha, claro que não! Você é linda! Ele não gosta de você, porque ele não gosta de ninguém! E eu já disse, a sua cor é linda! Quem dera eu tivesse nascido com a sua cor!

- Mas você é branca, igual a todas as meninas que estudam comigo, igual a todas as pessoas que eu vejo na televisão.

- Filha, preste atenção! Você é rica, tudo o que hoje é meu, um dia será seu! Eu não si o que é ser negra, mas eu sei que ninguém vai fazer nada contra você! Você está vendo a vastidão dessas Terras?! Um dia você vai mandar em tudo isso! Um dia você vai ser a patroa dessa fazenda.

- Mas e as outras meninas mãe, que são como eu, mas que não tem as mesmas oportunidades que eu terei?!

- Ajude todas elas filha, seja amiga delas, faça alguma coisa por elas, você é boa Carolina, nunca deixe ninguém mudar a sua essência, ela é a coisa mais valiosa que você tem.

- Meu pai, você já não ama mais o meu pai!

- Houve uma época que eu faria qualquer coisa por ele, era louca por ele, estávamos apaixonados, vivíamos intensamente! Quando ele pobre, ele não tinha nada, mas era a melhor pessoa do mundo, pelo menos era assim que eu o enxergava, mas depois que ele se casou comigo, tudo mudou, a ganância corrompeu o coração dele. A ambição o consumiu, o dinheiro deixou ele amargurado, e sedento por mais, tudo já não era mais suficiente para ele, só pensava em mais, mais e mais. Quanto mais subia, mas perto do chão se sentia. Mas vamos filha, isso não é conversa para criança, vamos que a Lurdes preparou um bolo de chocolate delicioso, vamos apostar corrida?!

- Vamos…

O flashback de Carolina acaba, mas o que ela não sabia, era que naquele mesmo dia do passado, Delfine e Lurdes tiveram uma conversa…

- Patroa, como foi o passeio?!

- Bom, Lurdes foi bom.

- Se foi bom patroa, por que a senhora está com essa cara?!

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