Mundo de ficçãoIniciar sessãoCap.6. Oliver: A sexta-feira finalmente chegou
Eu estava confiante que iria finalizar a venda. Eu já tinha planejado fazer um desconto de 15% sobre o valor do produto à vista. O normal era que o cliente conseguisse somente 10% do valor, mas como meu cargo era bem acima, não haveria questionamento quanto fosse averiguado, ainda mais sendo um produto de primeira linha, que não era tão popular nas vendas. Eu fiz as contas na calculadora para mostrar para ela, apesar de já ter feito de cabeça, senda essa uma de minhas habilidades. Eu tinha um raciocínio rápido com números. Ela franziu a testa e concordou, dizendo que conseguiria fazer o pagamento à vista se eu pudesse diminuir mais um pouquinho. Ela era boa de negociar, gostei desse aspecto dela. Eu arredondei o valor e ela aceitou. Enquanto eu preenchia o cadastro dela, um pensamento ficou me assombrando. Eu realmente queria vê-la de novo. Eu tinha por hábito ficar com mulheres fáceis, passava uma noite sem nenhum compromisso. E isso começou desde que eu terminei aquele relacionamento com a Melissa. Eu não costumo ficar um uma mulher mais de uma vez. Algumas até tentam. Mas nunca retorno. Eu tinha uma mera brecha com a Rafaelle. Ela era a filha de um dos acionistas da empresa, eu saía com ela as vezes, quando tinha algum evento público, mas deixei bem claro pra ela, que só éramos amigos. O problema que fiz a merda de transar com ela uma vez. Então ela tinha a esperança de que isso iria se repetir e que nossa amizade iria virar um namoro. Ela aparecia na empresa de vez quando, me mandava mensagens com certa frequência. Eu às vezes eu saia com ela, para jantar ou um café, mas ela acabava se insinuando e isso me irritava. Ela era bonita lógico, uma loira alta, olhos verdes, de cabelos longos sedosos que iam até a cintura. Mas tinha um estilo de vida fútil, em que o pai dava de tudo, e eu não tinha saco para as conversas vazias dela. Foi uma boa transa, só isso. No entanto a Laura me deixou intrigado. Eu já tinha reparado que ela não tinha aliança. Pelo endereço, ela morava perto do shopping. Ela era professora, uma garota comum, bonita, inteligente, com um sorriso lindo e que, desde que eu toquei a sua mão, meu corpo ascendeu junto com seu perfume delicioso. Eu estava curioso a respeito dela. E ainda tinha aqueles lábios, puta merda! Eles eram sensuais, eu queria prová-los. Bom e eu também reparei em seu corpo, ela não era alta, mas tinha curvas bem generosas. Quando fui buscar o produto dela no estoque, uma ideia perversa surgiu rapidamente na minha mente. Eu decidi que iria mentir que o produto havia esgotado na loja. Tinha que montar uma expressão de sem graça e criar uma história esfarrapada e principalmente, não deixar nenhum funcionário se meter na minha venda. Saí do estoque e fui em direção a ela com a ideia já na minha cabeça. - Poxa vida Laura. Tenho que te pedir mil desculpas. Acabou esse produto em nosso estoque. Só temos mesmo aquele no mostruário. Mas acho que você não vai querer levar seu forno fora da embalagem e sem manual de instruções. Bem na verdade, isso nem é permitido. - Nossa, isso é sério? - Eu sinto muito mesmo pelo equívoco. No entanto, está para chegar mais produtos nessa sexta-feira, no caso, depois de amanhã. Posso mandar entregar em seu endereço sem custo de frete num prazo de sete dias, ou se você preferir, você pode vir buscar aqui na loja na sexta-feira comigo. E então o que acha? Eu fiz questão de frisar a parte de que ela deveria buscar comigo e falei rapidamente a parte de que tinha frete num prazo de sete dias, o que era verdade, mas nesse caso, nem compensava mesmo. Fiquei observando a expressão um pouco chateada dela que aos poucos foi mudando para o que me pareceu, ter se conformado. - Que pena. Mas acho que consigo aguentar mais dois dias sem o forno. Eu vou tentar vir buscar na sexta então. Se você me garantir que o produto vai estar aqui. Quando ela confirmou que poderia vir na sexta, isso me deixou aliviado, porque eu poderia pôr a minha outra parte do plano em ação. Então peguei a minha carteira do bolso para dar o meu cartão de “gerente” pra ela. Tomei o cuidado para não pegar a de CEO da empresa que meu pai já tinha mandado fazer e que já tinha alguns na minha carteira também. - Laura esse é meu cartão. Tem o telefone da loja e o meu celular caso queria falar direto comigo. - Se acontecer de o produto não chegar na sexta, eu ligo pra te avisar. – Eu falei isso, mas daí pensei melhor. Eu sabia que queria ligar pra que ela viesse com certeza. - Pensando bem, se você quiser eu posso te ligar na hora que o produto chegar. Daí você não vai correr o risco de perder a viagem. - Prefiro então que você me ligue no celular para me avisar quando o forno chegar. Pois é difícil me encontrar em casa. Essa explicação dela facilitou muito o meu propósito, fiquei animado. - Tudo bem. Então aguarde minha ligação Laura. - Até sexta-feira Oliver. Ela estendeu a mão para mim para se despedir. Eu aproveitei para apertar um pouco mais para ver se eu sentia aquela sensação pelo meu corpo novamente, o que foi bem nítido. Eu olhei em seus olhos castanhos e ela sorriu daquele jeito envolvente e eu me despedi. - Até mais Laura. Ela foi embora e um vendedor veio me questionar por que a cliente não levou o produto. Eu tive que mentir pra ele dizendo que ela me pediu para retirar na sexta, porque hoje ela não teria como carregar. Ele não me questionou mais, como eu já esperava. Em seguida eu fui ao estoque e já separei o produto dela e pus numa sacola com um aviso de não mexer, com o meu nome em letras garrafais. Ninguém ousaria. O resto da quarta-feira eu fiquei observando o funcionamento da loja e lendo relatórios e não quis atender mais nenhum cliente. A quinta-feira passou bem mais devagar do que poderia imaginar com a loja tendo pouco movimento. Resolvi fazer uma reunião com os funcionários e propus algumas mudanças na organização do ambiente e dos produtos, mas, mesmo assim, minha mente continuava na Laura, principalmente quando eu passava pelo estoque e via a sacola dela que eu havia separado. Eu já tinha um plano em mente para chamá-la pra sair, só precisava que ela viesse sozinha buscar o forno. Finalmente a sexta-feira chegou. Eu ia poder vê-la hoje, e eu estava me sentindo bastante agitado e isso não era um sentimento comum antes de eu tentar flertar com uma mulher. Eu só sorria, jogava um pouco de charme, falava algumas frases de efeito e a minha noite estava garantida. O mais difícil era dispensá-las no dia seguinte. Elas ficavam um tanto empolgadas com um boa noite de sexo e geralmente queriam repetir. Não que eu fosse me gabar, mas eu sabia que mandava bem na cama. Esse fato era porque eu sempre procurava satisfazê-las, eu não era um cara do tipo egoísta, mas isso não era muito difícil, já que a mãe natureza me ajudou me proporcionando um instrumento de trabalho bem avantajado por assim dizer. Pois é, eu tinha que ouvir de meus amigos no vestiário que a vida era injusta, porque eu já era um cara rico e bonito, não precisava ser bem-dotado também. Mas não bastava eu ser um cara atraente, eu era bem-educado, porque lógico, eu sempre tratava bem as mulheres. Minha mãe me ensinou muito bem isso. Eu não pretendia ficar trabalhando nessa loja por muito tempo mesmo. E por isso eu poderia sair com ela, se ela aceitasse meu convite. Eu só precisava sair com ela uma vez para eu tirar essa cisma. Ia ser como qualquer outra. Uma noite e nada mais. A loja estava com um movimento considerável nessa sexta, mas eu iria ligar pra ela somente no período da tarde, para dar a entender que o produto havia acabado de chegar. Então iria confirmar que meu horário de saída era as dezenove horas, para ela vir buscar até esse horário e depois... bom, depois eu colocaria meu plano em ação. Tinha uma pequena chance de dar certo, eu estava confiante. A tarde olhei no relógio eram cinco e meia. Perfeito. Hora de ligar para a Laura. - Alô? - Alô é a Laura? - Sim é ela. - Aqui é o Oliver o gerente da loja de eletrodomésticos. Eu fiquei de te avisar sobre o seu forno elétrico. - Ah sim... Olá Oliver. E então o meu forno chegou? - Chegou sim. Pode vir buscar que já separei pra você. Caso você possa vir buscar ainda hoje, você pode pegar comigo até as sete. Mas a loja fica aberta até as dez, então você pode pedir para qualquer outro vendedor. Falei isso, mas esperava que ela não viesse mais tarde. Só não queria dar tanta bandeira. - Ah... Bom... Eu trabalho hoje à noite, mais tarde. Apesar de que, como foi você quem me vendeu, o correto seria você mesmo me entregar, não concorda? Ela tinha esse jeito espontâneo de falar as coisas que eu adorava e me divertia. Tive que rir. - Concordo... Então isso quer dizer que vai vir buscar hoje mesmo? - Bom, estou terminando umas tarefas de última hora do meu trabalho e não tenho certeza se vou conseguir chegar a tempo. Mas vou tentar. Bom, ela não deu certeza, mas falou que iria tentar. Eu tenho quase certeza que ela ia conseguir. Desliguei o celular com um sorriso enorme. Eu estava ciente da agitação em meu estômago. Eu precisava fazer algo para ocupar minha mente, para desviar um pouco o foco dessa mulher.






