O CEO dominante e a professora
O CEO dominante e a professora
Por: Luara de Lis
Capítulo 1 Laura: O karma

O ano era 2016, eu observava o céu cinza de um tom de cinza fechado e misterioso. Fazia quatro dias que estava chovendo sem parar, mas, independentemente disso, o céu acinzentado era algo inevitável, pois era a identidade da cidade. Raios de sol eram elementos raros. A temperatura estava em torno de uns dezessete graus. Temperatura bem agradável, em minha opinião, até mesmo, aconchegante, que servia como um impulso para eu me movimentar, pois sou daquelas pessoas que não gosta do calor. Pelo menos não do calor intenso.

Decidi ir até o shopping dar uma volta, ótima ideia por se tratar de uma quarta-feira, pois eu poderia olhar as vitrines com calma e pesquisar sobre as coisas que eu ainda precisava comprar para o meu novo apartamento. Eu estava radiante! Tinha acabado de me mudar. Sim, finalmente eu tinha ido morar sozinha aos vinte e oito anos.

Porém antes eu tenho que confessar. No final do ano passado, eu tinha ido com uma amiga em uma cartomante, numa dessas que se diz ter o dom da mediunidade. Como gosto muito de ler e pesquisar sobre esses assuntos, pensei, quem era eu para duvidar. Quando entrei no local de atendimento da tal mulher, eu já senti uma energia diferente. Eu também considero ter uma sensibilidade sutil para ambientes e pessoas. Podem chamar de energia, de vibração ou intuição, mas eu me sinto mal quando entro em certos lugares. Fico agoniada do nada e tenho vontade de sair, como se sentisse uma vibe ruim, ou talvez só não goste de ficar perto de pessoas deprimidas demais ou mal-intencionadas. Mas também tem outras situações como há nesse lugar que logo meus pelos da nuca se arrepiam, como um pequeno choque elétrico. Mas, como eu já mencionei, eu sou bastante curiosa sobre assuntos de espiritualidade e resolvi que não interferia em nada em minha vida fazer a uma leitura.

Depois que entramos no local, minha amiga ficou numa sala de espera e eu entrei em outro ambiente para a cartomante tirar as cartas pra mim. Parecia com um baralho cigano, ou tarot, eu não tinha certeza. Ela embaralhou e pediu para eu cortar duas vezes e depois colocou as cartas na mesa numa disposição determinada e depois as desvirou uma de cada vez. Então ela disse a frase clichê “um ciclo na sua vida está se fechando e outro irá começar”, o que já me deixou com um pé bem atrás. Sério isso? Ela deve dizer isso pra todo mundo, mesmo que fizesse todo sentido, porque afinal de contas, eu estava finalizando a negociação do meu meu apartamento na época. Eu, iria morar sozinha pela primeira vez na minha vida. Então ela continuou e me perguntou se eu estava mudando de casa. Isso me deixou um pouco alerta, mas também poderia ser uma pergunta bem genérica. Eu confirmei achando que tudo poderia acontecer na minha vida agora, não é mesmo? Eu finalmente iria consegui sair da casa dos meus pais e conquistar a independência e privacidade tão desejadas. Mas acontece que o que ela viu nas cartas, não foi só a independência que eu almejava por tanto tempo. Foi também uma mudança no meu status de relacionamento amoroso. E isso foi bem surpreendente, já que eu estava a um bom tempo solteira. E nesses últimos tempos, foi por opção. Quando ela fez a leitura, eu comecei a duvidar disso também, porque sim, eu tive alguns namorados complicados e que foram relacionamentos suficientes para eu saber que era melhor estar sozinha do que mal acompanhada. Eu não acreditava mais na ideia do amor romântico. Namorei babacas o suficiente para que isso ficasse bem claro. Acho que ela deve ter lido a expressão do meu rosto de incredulidade, porque ela bateu o dedo em cima de uma das cartas e afirmou com muita convicção que logo um homem atraente e dominante iria surgir na minha vida. No entanto, ela continuou, eu teria que ter personalidade forte para conseguir me relacionar com ele, porque ele poderia seu um pouco possessivo. Era um tipo de karma que eu teria que lidar de uma vida passada. E ela finalizou, dizendo que as cartas não mentem, mesmo que eu escolhesse algum caminho diferente, esse homem continuava aparecendo no meu destino.

Eu tinha me esquecido da leitura das cartas até hoje, observando as vitrines do shopping, mas talvez fosse apenas bobagem da minha cabeça mesmo.

Eu então resolvi entrar numa grande loja de eletrodomésticos, pois queria dar uma olhada nos preços de fornos elétricos. O fogão do meu apartamento era embutido, portanto não tinha forno, e logo percebi que seria algo necessário. Não sou lá grande cozinheira, mas gosto de preparar algumas coisas. Então quando cheguei à seção dos fornos, comecei a princípio olhar tamanhos e formas. Claro que a beleza do objeto a ser comprado é um elemento que influência bastante na minha compra, mas também queria que fosse um produto de boa qualidade. Eu estava observando indecisa já há algum tempo, até que um vendedor se aproximou de mim de forma silenciosa.

- Posso ajudá-la?

A minha primeira reação foi de susto e a segunda de arrepio, já que a voz grave dele surgiu pelas minhas costas perto da minha nuca e reverberou em meu ouvido. Depois a terceira, foi de irritação. Detesto vendedores intrometidos. Mas respirei fundo e me virei tentando encontrar meu lado educado, que se diz existir dentro de mim. O lado simpático, confesso logo de cara, já foi um pouco mais difícil de achar.

- Desculpe. Acho que te assustei.

Provavelmente a expressão do meu rosto não deixou dúvidas.

- É, você me assustou um pouco. – Respondi tentando sorrir. Eis aí uma bela tentativa de entrar em cena o tal do meu lado educado.

- Meu nome é Oliver. Se quiser posso te dar umas dicas sobre fornos elétricos. – Parei para pensar e não respondi logo de cara, porque reparei que até que ele era bonito.

– Ou não... – Ele mesmo respondeu franzindo as sobrancelhas demonstrando ter percebido minha hesitação. Pelo visto meu lado simpático, não funcionou nenhum pouco mesmo. Eu devia estar com aquela minha famosa expressão “Não se aproxime!”, estampada em neon versão Las Vegas.

- Bom... Ok. Confesso que estou precisando de um pouco de ajuda. – Tentei sorrir novamente com mais convicção dessa vez e continuei. – É Oliver não é mesmo? Estou indecisa... Na verdade estou à procura daquele famoso “bom, bonito e barato”. Será que você pode me ajudar?

Acho que agora me saí um pouco melhor, não sei como. Será que fui eu mesma quem pronunciou tudo isso? Quem é essa nova versão que tomou conta do meu cérebro e jogou tantas palavras em minha boca? Acho que estou com um humor ácido, ou vendo seriados demais...

Ele em resposta ao meu palavreado, abriu um sorriso incrivelmente charmoso e foi então que eu realmente constatei como ele era bonito. Nossa... Acho que pisquei rapidamente algumas vezes.

- E o seu nome é?

- Laura.

- Laura... – Ele sorriu de novo e me estendeu a mão para que eu o cumprimentasse. Isso foi inesperado. Estendi a mão já que meu lado educado ainda estava ativado. – Posso ajudá-la sim.

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