Capítulo 2 Oliver: O ritual

Meu nome é Oliver Klein Righi, tenho trinta e dois anos e sou herdeiro de uma das maiores empresas bilionárias de varejo de eletrodomésticos do Brasil que pertence ao meu pai, Guilhermo Michael Klein Righi que acabou de se aposentar. Ele vai me passar o cargo de CEO da empresa depois que eu cumprir um certo ritual durante um ano, e não só uma cadeira de acionista como eu tinha anteriormente.

Eu e meu pai, apesar de admirá-lo muito, não nos damos muito bem. Temos nossas divergências. Digamos que eu não concorde com o fato dele insistir na ideia de que eu me case e forme uma família para deixar herdeiros, pois ele adora repetir que ele trabalhou tanto para ter para quem deixar o seu legado.

Além de mim, tem a minha irmã Anne, três anos mais nova que eu e que não se interessa nenhum pouco pelos assuntos da empresa do meu pai. Ele a considera como a sua “princesa rebelde”. Portanto, ele realmente espera que eu tenha filhos e que continue com o negócio da família.

Embora eu goste de trabalhar na empresa e poder administrar o negócio, não acredito no amor nem considero um dia casar-me.

Minha mãe era uma pessoa maravilhosa, uma mulher doce e foi uma mãe incrível, até falecer de câncer uns anos atrás. Eu sei que meu pai a amou muito. Mas eu não acho que eu vá ter esse tipo de sorte. Sabem por quê? Simplesmente, porque acho difícil confiar nas pessoas. Elas se aproximam de mim por causa do meu nome, meu dinheiro, meus status ou minha aparência. Eu cheguei essa conclusão justamente por ter aberto uma brecha e ter confiado uma nas pessoas. Então eu aprendi a lição e depois disso me tornei um cara mais seguro e frio. Agora sou eu quem manipulo as pessoas, e não o oposto, principalmente se o quesito for mulher.

Essa minha atitude fria e dominadora se desenvolveu depois do que ocorreu aos meus vinte e cinco anos. Eu tinha acabado de me formar na faculdade de Economia e já estava trabalhando na empresa do meu pai. Eu continuava com o mesmo grupo de amigos, e mesmo com o as responsabilidades do trabalho eu gostava de sair à noite, principalmente em baladas. E em uma dessas noite, foi que eu conheci a Melissa. Ela era uma garota linda, com um rosto angelical, um corpo escultural e sorriso doce. Começamos a sair e não demorou muito para eu me apaixonar. Com um ano de namoro, noivamos.

Em uma noite dessas nossas saídas com o nosso grupo de amigos, ela estava demorando para voltar do banheiro, então eu resolvi ir atrás dela, quando a flagrei me traindo com um dos meus melhores “amigos” da faculdade, o Bryan. Eles simplesmente estavam transando numa parede próximo ao banheiro, sem nem ao menos se importar que alguém pudesse vê-los. Eles até riram da minha suposta inocência, pois todos do nosso grupo sabiam, menos eu. Ela acabou confessando que na verdade só estava interessada no meu dinheiro e na minha herança, mas gostava mesmo era do Bryan. Então eu dei um soco na cara dele e falei algo pra ela como, “você é uma vagabunda mentirosa” e fui embora. Depois disso, eu e me afastei desse grupo falso de amigos e fiquei isolado por um tempo.

Minha irmã Anne logo percebeu que tinha algo errado comigo. Ela tentava me animar de todas as formas, mas eu negava que houvesse algum problema. Um dia ela me apresentou o seu namorado Carlos, o que já me colocou no modo de irmão superprotetor, mas então ela me contou como o conheceu. Foi então que eu percebi que ele realmente era uma pessoa bacana e acabei me tornando amigo dele.

A minha irmã Anne sempre optou por recusar a ajuda do nosso pai. Ela conseguiu conquistar tudo o que quis por conta própria. Eu sempre a admirei por isso. Ela trabalhou, juntou o seu dinheiro, alugou seu primeiro apartamento e comprou o seu carro popular sem aceitar nenhuma ajuda minha ou a do meu pai. Ela era muito teimosa e queria conseguir tudo por conta própria.

Ela conheceu o Carlos no prédio em que foi morar e isso sem revelar a fama da nossa família rica. Eles acabaram se casando e tiveram meu sobrinho Lucas, que a propósito é o meu xodó e do meu pai, claro. Eu sei que no fundo meu pai tem muito orgulho da Anne. Eles se dão bem, mesmo ela recusando o dinheiro dele. Ela acabou, tendo que revelar a verdade durante o noivado sobre a nossa família para o Carlos e eu me admirei com a reação dele. O Carlos ficou impressionado, mas não se importou com esse fato, demonstrando que a amava de verdade. Só faz piadas sobre isso de vez em quando.

Através da amizade com o Carlos eu fiz outras jogando futebol com ele no clube aos domingos. Pessoas comuns. Além do Carlos, um dos meus melhores amigos é o Daniel, um chefe de cozinha muito talentoso por sinal. Ele trabalha em um ótimo restaurante da cidade. O Daniel sabe que eu tenho mais dinheiro do que aparento, já sacou que sou empresário, mas não sabe realmente qual é a empresa. Deixei claro para o Carlos não contar para ninguém o meu verdadeiro status, então teve essa história de eu ter que trabalhar como gerente em algumas lojas do meu pai, o que veio bem a calhar.

Antes de me tornar CEO, segundo o meu pai, eu teria que passar por um tipo de ritual. Eu teria que trabalhar no chão das lojas juntos com os funcionários, vendo como as coisas funcionavam de perto. Eu não era um babaca arrogante, eu não me importava de ter que fazer isso. Eu sabia que ele conquistou tudo o que tinha com muito trabalho. Pra mim isso seria como um curso de férias.

Eu teria que gerenciar uma loja e depois passaria para outra. Meu pai fez muito isso no início, quando começou a abrir as primeiras lojas. Os funcionários não tinham a menor ideia de quem eu realmente era, apenas o gerente atual. Eu chegava como um substituto e gerente atual entrava em férias de quinze dias. Depois eu fazia um relatório sobre o andamento das vendas e problemas que algumas lojas tinham que melhorar. Eu até me divertia. Eu comecei em uma loja em um shopping pequeno num bairro de classe média da capital paranaense em que eu morava. Meu pai já tinha se mudado para uma de suas fazendas preferidas do interior do Paraná e deixou um CEO interino até eu assumir. Fazia uns quatro dias que eu tinha começado nessa loja, era uma tarde de uma quarta-feira e a loja até que estava movimentada.

Eu estava caminhando pela loja quando observei uma moça entrar e ficar um tempo na seção de fornos elétricos. Como ela estava olhando de um para o outro já fazia algum tempo, ela parecia mesmo interessada, então olhei para os lados, mas não tinha nenhum vendedor disponível. Então eu resolvi ir até ela, pois ela parecia indecisa. Então quando me aproximei, senti um perfume delicioso. Nossa que interesse.

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