Capítulo 6 — O Preço do Controle

Capítulo 6 — O Preço do Controle

Damien Knight

— Não — falei, mantendo o tom de voz constante. — A vaga não é na empresa. É na minha casa. A partir de hoje, você será a babá do Luca.

Emma Anderson não gritou, nem teve um surto de indignação. Ela apenas me encarou com uma confusão genuína, que logo se transformou em uma barreira de teimosia.

— Eu não sou babá, senhor Knight — ela disse, a voz baixa e firme. — Eu agradeço tudo o que o senhor fez pela minha irmã agora pouco, mas eu fui até sua empresa por uma vaga de limpeza. Eu sei o que é um serviço de limpeza. Eu não faço ideia de como cuidar de uma criança com as necessidades do seu filho.

— O Luca não precisa de uma profissional de pedagogia agora, senhorita Anderson. Ele precisa de você. Ele reagiu a você.

Caminhei até a janela do quarto. O som do monitor cardíaco da pequena Ellie era o único ruído preenchendo o silêncio entre nós. Eu precisava que ela entendesse a lógica da situação.

— As condições são favoráveis para ambos os lados — continuei. — Você terá moradia para você e sua irmã na mansão. Alimentação, transporte e todo o suporte médico para a Ellie serão por minha conta. Em troca, você cuida do Luca. É uma troca justa.

— Não, não é — ela rebateu prontamente. — É um contrato de dependência. Eu prefiro a vaga na empresa. Vou receber meu salário e pagar o tratamento da Ellie com o meu esforço, sem precisar morar sob o seu teto. O senhor pode me passar o valor do que gastou hoje? Eu vou dar um jeito de pagar.

Senti uma pontada de irritação. Ela era orgulhosa demais para a situação em que se encontrava.

— Você vai pagar como? Com gorjetas de uma lanchonete? Ou pretende usar outros meios? — Falei arqueando uma sobrancelha, deixando claro o que queria dizer.

— O que está insinuando? — ela me perguntei e notei o tom irritado em sua voz.

— Não quis ser rude, senhorita Anderson. Mas vamos ser práticos, o tratamento que sua irmã precisa custa mais do que você ganharia em dez anos na limpeza. Eu não estou pedindo um favor, Emma. Estou oferecendo uma solução para o seu problema e para o meu.

— Eu não vou aceitar esse emprego — ela insistiu, cruzando os braços. — Eu posso ser pobre, senhor Knight, mas eu ainda decido onde e como eu trabalho. Eu quero a vaga de limpeza. Se não for me dar o emprego na empresa, eu agradeço a carona e vou procurar em outro lugar.

Eu a observei por um instante. Ela estava exausta, com a roupa amarrotada e a irmã doente em uma cama de hospital, mas ainda assim me enfrentava sem desviar o olhar. Era fascinante e irritante ao mesmo tempo.

— A vaga na empresa está fechada para você — sentenciei. — Pense na minha proposta.

Saí do quarto antes que ela pudesse retrucar. Eu não ia ficar discutindo no quarto de um hospital. Luca estava sentado no banco de espera, o olhar fixo na porta. Ele fez menção de levantar assim que me viu, mas eu balancei a cabeça.

— Espere aqui.

Peguei o celular e liguei para John.

— John, preciso de um contrato. Prestação de serviços domésticos, moradia inclusa, exclusividade total. Nome: Emma Anderson. E faça o seguinte: entre em contato com a administração do Memorial agora. Eu quero a fatura total de todo o protocolo de tratamento da irmã dela. Pague tudo antecipado. Quero os recibos de quitação no meu nome.

— Entendido, senhor Knight. Estarei aí em vinte minutos.

Desliguei e guardei o aparelho. Eu sabia o que estava fazendo. Pode parecer cruel para quem olha de fora, mas na minha cabeça, eu estava garantindo a sobrevivência daquela menina e o progresso do meu filho. Emma era orgulhosa demais para aceitar ajuda de graça, então eu daria a ela um motivo para não ter escolha.

Luca tentou entrar no quarto novamente, mas eu o segurei pelo ombro, de forma gentil. 

— Ainda não, garoto. Vamos esperar o John.

John chegou vinte minutos depois, exatamente como prometido. Ele me entregou uma pasta de couro com o contrato e os comprovantes de pagamento do hospital.

— Tudo quitado, senhor. O hospital já registrou o senhor como o único responsável financeiro.

— Ótimo. Fique com o Luca.

Voltei para o quarto. Emma se levantou assim que a porta se fechou. Ela parecia estar se preparando para sair e ignorar completamente minha presença, mas parou ao ver a pasta na minha mão.

— O senhor voltou para tentar me convencer de novo? — ela perguntou, com um suspiro cansado.

— Eu trouxe o seu contrato — respondi, estendendo a pasta para ela. — Eu já assinei a minha parte. Agora só falta você.

Ela franziu a testa, sem pegar o documento. 

— Eu já disse que não vou ser babá do seu filho nessas condições, senhor Knight. Por que o senhor insiste tanto?

— Porque eu não aceito um "não" quando sei que tenho a melhor oferta. — Abri a pasta e mostrei os recibos do hospital grampeados ao contrato. — Eu acabei de quitar o tratamento completo da Ellie. Cem mil dólares. A conta do hospital está zerada, Emma. Você não deve nada a eles.

Ela empalideceu, os olhos percorrendo os números nos papéis. 

— O senhor o quê? Por que fez isso? Se colocar como responsável financeiro era uma coisa, eu poderia ir pagando, mas isso? — ela pegou os papéis da minha mão irritada antes de concluir. — Eu não pedi!

— Eu sei que não pediu. Mas agora, você deve a mim. E como você mesma disse, quer pagar com o seu esforço. Pois bem, aqui está o meio. — Apontei para a linha da assinatura. — Assine o contrato e a dívida será abatida mês a mês com o seu trabalho na mansão. Ou, se preferir, pode sair por aquela porta agora e tentar levantar cem mil dólares para me pagar amanhã cedo. O que vai ser?

Emma olhou para a irmã, depois para o contrato. O silêncio no quarto era absoluto. Eu vi o momento em que a ficha caiu. Ela não estava sendo comprada; ela estava sendo encurralada pela própria realidade.

— O senhor é inacreditável — ela sussurrou, pegando a caneta com a mão trêmula.

— Eu sou um homem de negócios Emma. E eu sempre os venço. Agora… — encarei seus olhos azuis antes de concluir. — Assine.

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