Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 5
No dia seguinte, em sua sala, Mark atendeu o celular. - Senhor, está tudo conforme o planejado - disse Julian, do outro lado da linha. - Excelente, Julian. Obrigado. Você é o melhor - respondeu Mark. Um leve sorriso curvou seus lábios, sem precisar de gestos exagerados. Mark desligou e se encostou na cadeira, fechando os olhos por um instante. - Agora, sim. Está tudo perfeito - murmurou para si mesmo, satisfeito com o rumo que tudo estava tomando. Antes do almoço, Elena atendeu um telefonema inesperado. Do outro lado da linha, um detetive estava ansioso: - Senhorita Lancaster, preciso falar com o senhor Darkmoor imediatamente. Acredito que encontrei um homem que pode ser filho dele. Elena ficou boquiaberta. Impossível acreditar, ela ouviu que o magnata não tinha descendentes. Elena passou a ligação para o patrão e voltou ao trabalho. Inacreditável como todo aquele desejo intenso que sentiu nos dias anteriores desapareceu assim que deixou a empresa e voltou para casa no dia anterior. Aquele calor súbito e incontrolável não existia mais, mas a lembrança ainda a deixava corada. A outra secretária havia se aposentado e deixado o cargo. Agora, no escritório, era apenas ela e o senhor Darkmoor. *** Mark levantou e ajustou o paletó antes de se dirigir à porta. - Vou até o advogado e depois passar em uma clínica para um teste de paternidade. Se precisarem de mim, ligue no meu celular. Elena ouviu atentamente e assentiu. - Claro, senhor. Ela suspirou, tentando voltar ao trabalho após ele sair. Mark cumpriu todas as tarefas que precisava naquele dia e, no final da tarde, foi para casa. À noite, vestiu-se com elegância impecável para comparecer à própria festa de aniversário, na mansão de sua irmã. Ao chegar, a mansão de Valkiria estava repleta de convidados, não apenas vampiros em busca de sangue, mas também de visitantes seduzidos pelo poder e pela aura sobrenatural que ela emanava. Ela apareceu imediatamente, com o sorriso sedutor que sempre a caracterizava. Caminhou até ele, e o cumprimentou com carinho: - Vlad... ou devo dizer, irmão, é bom te ter aqui. Mark apenas sorriu e voltou ao olhar ao redor. Ali a sedução e o desejo se misturavam com poder e sangue. Ele, por sua vez, se mantinha contido. Mark aproveitou a festa até o final. Quando estava prestes a sair, Valquíria reapareceu ao seu lado, desta vez acompanhada por uma mulher de sorriso confiante, que o observava com desejo. - Vlad, um presentinho para você antes de sair - disse Valquíria. - Valkiria... - murmurou, surpreso e irritado ao mesmo tempo. - Ora, vamos - continuou ela, com um sorriso provocador. - Ela quer, e você está precisando. Não se alimentar da forma correta o deixa assim, envelhecendo. Faça sexo com ela... e tome seu sangue. Mark manteve a calma. Um leve sorriso curvou seus lábios: - Você nunca perdeu a oportunidade, não é? Mark tentou inicialmente manipular a situação, mas a insistência e a ousadia dela eram difíceis de ignorar. Com um leve suspiro, decidiu ceder, movendo-se com a graça predatória que sempre o caracterizou. A mulher ofereceu o pescoço com confiança. Vlad inclinou-se lentamente, os olhos negros fixos nela. Ao tocar a pele macia com os dedos, sentiu a energia vital pulsando sob seu toque, e as presas se projetaram brevemente, apenas o suficiente para marcar seu poder e satisfazer a necessidade primária que ardia à tempos. Com movimentos calculados, ele bebeu superficialmente, absorvendo o sangue, mantendo o controle sobre si mesmo e sobre a situação. A mulher estremeceu, fascinada, enquanto Vlad recuava, limpando a boca com um lenço que a irmã lhe deu. Valkiria sorriu satisfeita, e Vlad permaneceu imóvel por alguns segundos, sentindo o prazer e a energia que o sangue lhe devolvia. - Você deveria beber mais - disse Valquíria, cruzando os braços e mantendo o olhar provocador. - Durma com ela... - Não quero ela, Valkiria - respondeu Vlad, com firmeza na voz. - É mesmo? - a irmã arqueou uma sobrancelha, curiosa. - E quem você quer, então? Ele suspirou, os olhos se perdendo por um instante em lembranças e pensamentos que só ele conhecia. - Conheci alguém - murmurou. - E por que não está com ela? - insistiu Valquíria. - Ela é noiva. - Isso não é empecilho. Posso sentar nele e tomar todo o sangue, e ela ficaria sozinha para você. O que acha? - Obrigado, mas farei do meu jeito - disse, com um leve sorriso de canto de boca. - Sempre faço. A irmã riu, admirando a determinação do irmão, sabia que nenhum jogo de sedução ou manipulação poderia dobrá-lo quando ele decidia algo. Ele voltou para casa e, sem perder tempo, foi até o espelho. O reflexo demorou alguns segundos para se formar, revelando primeiro a imagem que tivera mais cedo, depois a versão dez anos rejuvenescida de si mesmo. A pele mais lisa, os cabelos impecáveis, a curvatura da coluna firme... parecia dez anos mais jovem, impecável em todos os detalhes. - Ainda não... - murmurou para si mesmo. Então, o reflexo desapareceu e reapareceu, desta vez mostrando a verdadeira imagem de Vlad, como todos o conheciam. Alto, charmoso, forte e sedutor, com cabelos negros como a noite e pele levemente pálida. Mas eram os olhos que realmente prendiam, os mesmos de sempre, profundos, penetrantes, capazes de enxergar a alma de qualquer um, de dominar sem precisar de força, de seduzir sem tocar. Vlad permaneceu diante do espelho, absorvendo cada detalhe de si mesmo, recordando o poder que carregava, a imortalidade que o definia e a aura que sempre deixava todos ao redor em alerta. Era por dentro, um predador, implacável e completamente consciente de seu domínio sobre o mundo ao seu redor. - Amanhã, minha cara... amanhã vou te tocar... - a voz dele, baixa e grave, deslizou pelo vento, alcançando Elena mesmo em seus sonhos. Ela despertou de imediato, com o corpo em chamas. Olhou para o lado, encontrando o noivo adormecido ao lado. - Querido... e se a gente... - murmurou, hesitante, ainda envolta pela excitação que percorria seu corpo. Ele abriu os olhos, franziu a testa e rosnou de impaciência: - Que saco, Elena... procura outro pra isso. Virou-se de costas e voltou a dormir, deixando-a boquiaberta. - O que você disse? - perguntou, surpresa e frustrada, mas não obteve resposta. Respirou fundo, afastando os pensamentos que a consumia, e decidiu se levantar. Hora de se arrumar. Assim que entrou no escritório, notou uma rosa vermelha-sangue cuidadosamente colocada sobre a mesa. Tocou as pétalas de forma suave e sorriu, fazia tempo que não ganhava uma flor. Encontrou um vaso pequeno, colocou a rosa nele e deixou-o ali, para poder admirá-la o dia todo. De repente, o ramal tocou, fazendo-a dar um salto. Com o coração acelerado, atendeu: - Senhor Darkmoor? - Venha até minha sala. Ela sentiu o mesmo arrepio que sempre aparecia quando ele a chamava.






