Mundo de ficçãoIniciar sessãoLorenzo não negou. Ele apenas tomou um gole do seu café, mantendo o olhar fixo nas costas do neto.
— Eu quero um bisneto, não quero morrer sem vê-lo casado, Henry. E se eu tiver que trancar você em um salão com as mulheres mais cobiçadas da Itália para que você perceba o que está perdendo, eu o farei. Henry sentiu um nó no estômago. A festa não era um brinde à amizade, era uma emboscada de ouro e seda. A ideia de uma festa "blindada" onde Henry não tinha para onde fugir. Seu avô estava empenhado em lhe arranjar uma noiva, e dessa vez não haveria escapatória. ☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕ A noite em seu quarto, Henry observava as luzes de Milão cintilando através do vidro embaçado, sentindo o peso familiar daquela solidão que ele mesmo escolhera. Ele sempre fora um homem de muros altos, convencido de que o envolvimento emocional era uma fraqueza que ele não podia se dar ao luxo de cultivar. Até que Karen Taylor apareceu. O Furacão de Nova York, Karen não foi um romance; foi um evento climático. Ela era o caos em forma de sorriso, uma americana de espírito tão livre que parecia carregar o vento nos bolsos. Henry, que jurara nunca se perder em ninguém, viu-se rendido por uma paixão avassaladora que desafiou todas as suas lógicas. Por um breve momento, ele acreditou que o fogo dela poderia aquecer o seu inverno permanente. No entanto, espíritos livres não aceitam âncoras. Karen amava com a mesma intensidade com que partia, e o desapego era sua única regra inegociável. O silêncio a ausência e o segredo: Seu avô, pilar de tradição e expectativas, nunca soube dessa história. Henry guardou Karen em uma gaveta trancada da memória, sabendo que o patriarca jamais entenderia como ele se deixou desarmar por alguém tão efêmero. O vazio já se passaram três anos desde que ela desapareceu sem deixar rastro, transformando-se em um fantasma que ainda assombra a sua vida. "Amar Karen foi como tentar segurar a luz do sol entre os dedos: por um segundo você sente o calor, mas logo percebe que suas mãos continuam vazias." Henry suspirou, fechando as cortinas. Ele voltara a ser o homem que não se envolvia com ninguém, mas agora não era por escolha, e sim porque ninguém mais conseguia ocupar o espaço que o furacão Taylor deixou vago. ☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕☕ A manhã de segunda-feira na Sede do Grupo Salvattore tinha aquele peso característico de novos começos. O ar condicionado central trabalhava no máximo para dissipar o calor que já começava a subir do asfalto lá fora, mas dentro da torre de vidro, o clima era de uma eficiência quase gélida. O ronco discreto, porém imponente, do motor do Bentley preto anunciou a chegada de Henry Salvattore. Ele estacionou na vaga privativa com a precisão de quem não desperdiça movimentos. Ao entrar no elevador privativo da presidência, o silêncio era absoluto até o último andar. Quando as portas se abriram diretamente em sua antessala, Henry ajustou os punhos do paletó sob medida. Ele não era apenas o novo CEO; ele era a nova ordem. Enquanto isso, alguns andares abaixo, o tilintar de xícaras de porcelana ditava o ritmo. A Sra. Gioconda, com seu olhar de águia e postura impecável, revisava cada bandeja. — Escutem bem... Disse Gioconda, a voz baixa mas cortante como navalha. — Somente eu tenho autorização para pisar no carpete da presidência e na sala de reuniões. São ordens diretas do Sr. Salvattore. Ele exige privacidade absoluta neste início de mandato. Fui clara? Juliana e Antonella trocaram olhares de frustração. Para elas, o novo CEO era uma figura mística, um sol em torno do qual toda a empresa orbitava, e a chance de "dar uma espiada" era o assunto favorito do almoço. _"É um desperdício," Sussurrou Antonella quando Gioconda se afastou. _"Dizem que ele é lindo, pena que suas fotos em revistas e na internet são de costas ou com o rosto desfocado. Mas pelo porte físico, ele é um homem alto e atlético." Zoe, por outro lado, apenas limpava o balcão com movimentos metódicos. Enquanto as colegas alimentavam fantasias, ela organizava a realidade. Para Zoe, Henry Salvattore não era um homem, era um conceito institucional. Sendo uma imigrante tentando equilibrar as contas no fim do mês, ela sabia que a distância entre o subsolo e a cobertura não era medida apenas por andares, mas por abismos sociais que nenhuma curiosidade poderia cruzar.






