CAP. 62 - Enfim chegamos Rio de Janeiro
POV/ CLARA
A mansão da tia Aurora não era apenas uma casa. Era um aviso ostensivo: "Dinheiro não compra bom gosto, mas compra todo o resto". Portões de ferro com arabescos exagerados, estátuas que pareciam julgar quem passava e vidros tão polidos que eu quase vi minha autoestima refletida e estilhaçada no chão.
Aurora apareceu na porta antes mesmo de batermos. Ela era linda... de um jeito artificial. Pele esticada, boca volumosa, cabelo loiro impecável, mas nada sorria nela. O olhar dela caiu sobre mim como quem encontra uma mancha de poeira no sofá novo e, em seguida, me ignorou completamente. Passei a ser tão relevante quanto um vaso de planta atrás da porta.
As meninas, por outro lado, foram recebidas como princesas perdidas. Pularam no colo dela e riram como se ali fosse o lugar favorito do mundo. Eu me senti um bidê humano invisível no meio da sala de estar.
— Vou mostrar o quarto delas — Aurora anunciou, segurando cada gêmea por uma mão, sem sequer olhar na minha direção.
Adrian