POV Emília
O silêncio depois dos sons é pior que os sons em si.
Eu fico deitada na cama, olhos fixos no teto escuro, ouvindo o eco que ainda ressoa na minha cabeça: os gemidos altos dela, o grunhido baixo dele, a cama batendo na parede, o grito exagerado do orgasmo dela. Tudo alto. Tudo proposital. Como se ela quisesse que eu ouvisse. Como se ele quisesse que eu ouvisse.
O quarto está gelado. O corpo ainda quente do que quase aconteceu na cozinha, mas agora o calor parece veneno. Eu me enrolo n