O Arrependimento Do Ex Marido
O Arrependimento Do Ex Marido
Por: Luísa Faruk Gerente
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Capítulo 1 - A Separação

Alice

18:50 da noite, quinta-feira.

Já se passaram cinco anos desde que a minha vida tomou um rumo inesperado, desde que o conto de fadas se transformou em um pesadelo. Cinco anos que se dividem em duas partes distintas: um paraíso ilusório e um inferno real.

Nos primeiros três anos, tudo era perfeito, mágico, irreal. Davi era o homem dos meus sonhos, o príncipe encantado que me resgatou da miséria, que me deu amor, carinho, proteção. Ele era cuidadoso, atencioso, prestativo. Tudo para ele era eu: meus desejos, meus sonhos, minhas vontades. Não me faltava nada: roupas, joias, viagens, conforto. Ele me mimava, me agradava, me fazia sentir a mulher mais especial do mundo.

Aos poucos, ele foi tirando a minha liberdade, me isolando do mundo, me transformando em sua prisioneira. Mas eu não percebia, estava cega pela paixão, pela gratidão. Ele nunca foi um homem romântico, daqueles que recitam poemas e oferecem flores. Mas sempre encontrava uma forma de me fazer sentir amada, valorizada, desejada.

Eu era grata por ele ter cuidado tão bem da minha mãe, por ter proporcionado a ela os melhores dias de sua vida. Ele nos tirou da miséria, da violência, do sofrimento. Deu um lar, um conforto, uma dignidade que jamais havíamos conhecido. Ele se tornou a minha única família, o meu protetor, o meu dono.

Davi sempre foi ciumento, possessivo. Mas com o tempo, o seu ciúme se tornou obsessivo, doentio, sufocante. Ele tinha ciúmes até da minha sombra. Ninguém podia se aproximar de mim, ninguém podia me olhar, me tocar, me dirigir a palavra. Eu não podia sorrir para ninguém, não podia ser simpática com ninguém. Só podia sair de casa com ele, só podia falar com ele.

Mas, com o passar do tempo, conheci o verdadeiro Davi. O homem por trás da máscara, o monstro que se escondia nas sombras. Conheci as suas duas faces, os seus segredos obscuros, a sua natureza diabólica. Conheci as suas maldades, as suas crueldades, os seus assassinatos, os seus crimes. Descobri que era casada com um psicopata, um homem capaz de cometer as maiores atrocidades sem sentir remorso algum.

Ele fazia crueldades, atrocidades, barbaridades. E para ele, tudo não passava de uma diversão, de um jogo. Ele se sentia poderoso ao ver o sofrimento, ao causar a dor, ao controlar a vida dos outros. Era insano, sádico, perverso. E não fazia questão alguma de esconder isso de mim. Pelo contrário, ele se orgulhava de suas maldades, se deliciava com o meu medo, com a minha angústia.

Também conheci o seu passado, as suas dores, os traumas que o marcaram para sempre. Vi o que o seu pai o submetia, as torturas, as humilhações, as violências. Vi o seu medo, a sua raiva, o seu ódio. E, como uma boa esposa, o acalmava, o consolava, o amava. Fingia não ver as suas atrocidades, não o julgava, não o questionava. O esperava todas as noites, até ele chegar, lavava as suas roupas sujas de sangue, limpava as suas armas, cuidava dos seus ferimentos.

Talvez esse tenha sido o meu erro. Aceitar o inacreditável, perdoar o imperdoável, amar o inamável. Talvez tenha sido essa a minha ruína.

Então, para piorar, Otávio, o pai de Davi, anunciou que se aposentaria e voltaria a morar no Rio de Janeiro. Ele vivia em outro estado, cuidando de seus negócios, e raramente nos visitava. A notícia não agradou muito Davi.

Mas, com a chegada de Otávio, a minha vida se transformou em um pesadelo. Foi como se um veneno tivesse sido injetado em nossa relação, corroendo o nosso amor, destruindo a nossa felicidade. Davi se transformou completamente, se tornando irritado, estressado, agressivo. Tudo o irritava, tudo o incomodava. Bastava um olhar torto, uma palavra atravessada, um gesto de reprovação do pai para que ele explodisse em fúria, quebrando tudo o que estivesse ao seu alcance.

E uma coisa que Davi odiava era ser contrariado, receber ordens, ter a sua autoridade questionada. E Otávio, com a sua mania de dar palpites em tudo, de se intrometer em nossos assuntos, de se comportar como se fosse o dono da casa, o deixava enlouquecido. Eu via o ódio em seus olhos, a revolta em seu coração. Ele quebrava tudo o que via pela frente, gritava, xingava, ameaçava. Era assustador.

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