Marcos
No carro, Clara ajeitou a pasta com a ultrassonografia do bebê no colo como se estivesse segurando algo sagrado. Os dedos dela passaram pela capa transparente com cuidado excessivo, quase reverente, como se qualquer movimento brusco pudesse apagar aquela pequena vida registrada em tons de cinza. O gesto me apertou o peito de um jeito bom.
Kiara, sentada ao seu lado observava tudo com um sorriso sereno, daqueles que transmitem calma sem precisar de palavras. Falava algo baixo, provavel