MARINA MORGAN
Eu olhei pela janela, tentando não tremer. O céu estava claro, mas meu corpo continuava tenso, como se carregasse um inverno dentro do peito. Meus ombros estavam rígidos, minha garganta apertada. E então ouvi a voz dele, suave, preocupada.
— Querida, você está bem?
Fechei os olhos por um momento.
— Não. Não está nada bem. Eu ainda sinto, sabia? Eu ainda sinto quando ele me bate... de novo, e de novo, e de novo. E ele...
Minha voz falhou, engasgada por uma lembrança que queimava m