Mundo de ficçãoIniciar sessãoEu quase não percebi quando começou. Estava tão concentrada em observar os pratos voltando vazios, os talheres repousando de lado, os gestos discretos de aprovação, que demorei a entender que aquela noite não era mais só sobre servir. Era sobre ser vista.
Os olhares vinham primeiro: longos, atentos, avaliadores. Não eram curiosos e sim profissionais. Pessoas que conheciam cozinha de verdade, que sabiam identificar quando um prato tinha sido pensado por alguém que entendia de tempo, tempero e ingrediente. Eu sentia isso na forma como mastigavam devagar, como fechavam os olhos por um segundo antes de pousar o garfo.
Depois vieram os movimentos. Aproximações sutis em minha direção, cartões discretamente deixados sobre a mesa mais próxima, mãos que tocavam meu braço com cuidado excessivo, como se eu fosse algo frágil ou recém-descoberto. Eu o







