O Que Fez?

Esse livro pertence ao universo de Oníria, dos Alfas Ares, Derik, Orium, Gavin... Mas é independente!

BJKS!

Ps.: Me digam o que estão achando, hein! Comentem!

*****

— Não! — Ele grunhiu quando me levantei.

— Pai, se acalme, não deixe a sua natureza se perder, essa cientista humana vai te ajudar!

A criatura, uma jovem mulher esbelta, olhos avermelhados pelo choro e caninos expostos, segurou a mão dele, mas ele rosnou e revirou os olhos.

Eu reconheci a expressão no rosto dele, era outra onda de dor. O instinto foi mais rápido do que o meu raciocínio. Ela me observava, ansiosa, enquanto eu revirava a minha bolsa em busca de algo que me tirasse do perigo imediato.

Se aquele lobisomem se perdesse, nós duas morreríamos.

Retirei uma seringa e uma ampola de tranquilizante.

Sempre carregava essas coisas na bolsa, vivendo no mundo de criaturas como aquelas, é melhor prevenir.

Apliquei a injeção diretamente na carótida esquerda. Ele revirou os olhos e a respiração foi se acalmando, até que dormiu.

Num misto de alívio e apreensão, tentei aproveitar o momento para me retirar, mas ela tinha outros planos. Ela puxou pelo braço e me arrastou para outra sala e me jogou na cadeira. Mordi a língua pra não gritar quando minhas costas bateram no encosto duro.

O olhar dela era desespero puro, com um fundo feio de desconfiança.

— Como conseguiu fazer aquilo? — rosnou.

Sustentei o olhar, fazendo cara de paisagem.

— Aquilo o quê?

Ela avançou até mim, debruçou nos braços da cadeira com o rosto tão perto que senti o hálito quente dela.

— Não seja cínica! O lobo do meu pai está enlouquecendo! Ele acabou de perder a companheira e o filhote herdeiro!

Franzi a testa.

No relatório que me deram quando fui trazida para esse mundo, a Luna revelou alguma características dessa espécie, sendo a principal a forte ligação entre almas gêmeas. Significa que Noah estava naquele estado pela morte da fêmea dele.

— Meus pêsames.

Que mais eu ia dizer?

Eles me sequestraram. Devia chorar ou soltar fogos?

— Guarde o seu falso sentimento! — Ela agarrou o meu braço quando tentei levantar.

Puxei de volta e uma garra rasgou minha pele. Ardeu e um filete de sangue escorreu pelo meu braço.O sangue desceu quente e a ferida latejava.

Ela cheirou o ar e os olhos avermelhados ficaram pretos.

— Sinto o fedor do seu medo — ela lambeu os caninos. — Humana com medo deveria se comportar melhor.

Ela ergueu a mão de novo, garras prontas pro meu pescoço.

— Última chance. O que você fez?

Eu não tinha resposta. Só tinha um filete de sangue e um coração querendo sair pela boca.

— Como acalmou o lobo do meu pai? Usou droga humana?

— Eu não usei nada! — cuspi de volta. O medo se misturava à revolta. — Você me jogou lá dentro, me trancou e sumiu. Só voltei a te ver quando trouxe a minha bolsa com os tranquilizantes.

Ela recuou um passo, respirou fundo. As narinas dela dilataram, tentando se controlar.

— Quando voltei, ele estava quase tranquilo com a sua presença, a natureza dele até parecia…. Como fez isso?

Como fiz?

Não sei… Uma cena voltou à minha mente: Noah no chão, a transformação do seu corpo parada no meio. Ossos pra fora, sangue, dor. E ele segurando meu pulso como se eu fosse a única tábua de salvação.

“Continue falando, humana.”

A voz dele era um trovão contido pela dor e angústia. Grossa, rouca, me atravessando o peito.

“Por favor.”

Aquele “por favor” quebrou alguma coisa em mim. A minha relutância me ajudar evaporou. Massageei a barriga dele , toda a extensão do estranho hematoma. Pele em brasa, trincada, parte de um corpo musculoso à perfeição. Cada músculo retesado como se lutasse contra si mesmo.E por baixo do cheiro de sangue, tinha outro. Madeira, chuva e algo selvagem que invadiu o meu nariz.

Nossos olhos se encontraram de novo. O brilho nos dele atraiam os meus mais do que eu gostaria de admitir.

Proibido.

“Você não devia estar aqui. Eu posso… te machucar.”

O jeito que ele falou “machucar” não foi ameaça. foi súplica. Eu não corri, nem me afastei. Que merda tinha de errado comigo?

Um uivo cortou o ar, fazendo a vidraça da janela estremecer e os pelos do meu corpo se arrepiarem. De alguma forma, eu sabia que era ele e que chamava por mim.

Saltei da cadeira.

Queria sair dali, me esconder em algum lugar seguro, mas ela me impediu novamente.

— Escuta bem, humana! — ela rosnou, dedo quase no meu nariz. — Não sei que truque usou, mas o meu pai é a única família que me resta!

Família.

Nunca tive uma.

Devia sentir pena?

Um pouco, talvez.

— Ouviu isso? Ele acordou de novo e está sofrendo! — Ela agarrou minha mão, unhas cravando na carne. — Tem que voltar lá!

— Voltar? Não! Você mesma disse que ele está enlouquecendo!

— Ele está se perdendo, não deixarei isso acontecer. Faça o seu truque novamente!

Ela me arrastou até a porta. Tentei me livrar, mas era forte demais pra mim. Travei o pé no batente a porta.

— E se dessa vez ele não conseguir se controlar? — perguntei baixinho, coração em disparada.

Ela congelou. Um fio de preocupação apareceu, mas logo deu lugar à determinação.

— Então reza pro seu truque funcionar de novo. Porque não ligo se você morrer, mas se ele se perder, você vai junto!

A porta abriu.

O cheiro dele bateu em mim como um perfume atraente e letal. Seu uivo continha dor e algo selvagem que fez meu estômago revirar. Eu devia ter gritado por ajuda, ter corrido de lá, mas quando ele me olhou, os meus pés pareceram ter vida própria.

Eu entrei.

A porta se fechou atrás de mim com um clique.

No escuro, a voz dele rasgou o ar, rouca de dor e fúria contida.

— Você não deveria ter voltado, humana…

Aquela era a minha sentença…

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App