A Sirene

Heitor

Quando eu a encosto no sofá, nossos olhos se encontram de novo.

Ela sorri — não um sorriso doce, mas um sorriso de quem sabe exatamente o que está pedindo e o que está disposto a cobrar. E eu sinto, com clareza quase cruel, que isso não é só desejo. É acerto de contas. É reivindicação. De tempo. De silêncio. De tudo que a gente adiou chamando de prudência.

Eu me inclino, a confissão presa na garganta, prestes a romper o último fio de controle, quando—

um grave atravessa a casa.

Não chega
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