Capítulo 8
Pedro desviou o olhar de Lavínia.

— Se não fosse a Lavínia que marcou de se encontrar com você, nada disso teria acontecido. No fim das contas, a culpa é toda dela!

— Já que o erro foi dela, então é ela quem deve arcar com as consequências. Além do mais, ela tem um corpo saudável; passar uma noite aqui não vai fazer diferença...

Mesmo já estando preparada, as palavras de Pedro ainda fizeram o coração de Lavínia se contrair de repente, doendo a ponto de lhe faltar o ar.

Um dia inteiro sem tomar analgésicos fez seus lábios tremerem sem parar; ela sequer conseguia reunir forças para rebater.

Aos olhos de Pedro, aquela condição ainda era considerada — um corpo saudável?

Ela quis rir, mas uma onda violenta de dor atingiu seu estômago. A dor foi tão intensa que o sangue subiu à força pela garganta, e ela vomitou uma grande quantidade de sangue.

Ao verem isso, as pupilas de Pedro e Diego se contraíram bruscamente.

— Lavínia!

— Mamãe!

O rosto de Raíssa empalideceu; no instante seguinte, ela começou a chorar.

— Eu não imaginava que, só para fazer eles sentirem pena de você, você fosse morder a própria boca até sangrar!

— Se você queria ir embora, podia simplesmente dizer. Por que se machucar assim?

Num segundo, a expressão de Pedro esfriou, tomada pelo nojo.

— Lavínia! Até quando você vai continuar usando esse tipo de truque?

Diego também torceu a boca.

— Mamãe, você é realmente sem vergonha.

Para ser resgatada primeiro, usar qualquer meio — isso não era mesmo falta de vergonha?

Naquele instante, toda a compaixão que eles tinham por Lavínia se dissipou por completo.

— Soltem a Raíssa. Quanto à Lavínia, façam o que quiserem!

O olhar de Pedro estava duro e frio. Já era hora de dar uma lição em Lavínia, fazer ela entender os limites.

Só quando Lavínia refreasse esses pensamentos, eles poderiam voltar a ser uma família harmoniosa.

Diego também concordou, balançando a cabeça.

Assim que os sequestradores empurraram Raíssa para o lado deles, pai e filho correram para soltar as amarras.

Já Lavínia, que mal conseguia se manter de pé por causa da dor no estômago, não mereceu sequer um olhar a mais.

Depois de fazer o exame, constataram que Raíssa tinha apenas marcas superficiais das cordas, sem nem mesmo um hematoma.

Pai e filho suspiraram aliviados.

Então Lavínia devia estar do mesmo jeito.

Aquele sequestro era por dinheiro; os reféns não sofreriam danos.

— Lavínia, amanhã é o nosso casamento. De manhã eu trago o dinheiro para te resgatar.

Depois de dizer isso, Pedro se preparou para ir embora.

Lavínia se sustentou com o último fio de força.

— Pedro!

O corpo começava a não sentir mais dor; Lavínia sabia que isso acontecia porque a dor havia chegado ao extremo, e o corpo acionara um mecanismo de proteção.

Ela se firmou lentamente. Naquele último instante, só queria ouvir uma resposta.

— Se quem tivesse câncer fosse eu, se quem fosse morrer fosse eu, você se arrependeria?

Ao ver o rosto pálido e emagrecido de Lavínia, algo feriu o coração de Pedro.

Uma onda de medo tomou seu peito; ele sentiu o pânico se aproximar.

Mas logo afastou aquele pensamento.

Impossível. Isso era absolutamente impossível!

— Até quando você vai continuar encenando esse tipo de drama?

Pedro se irritou.

Por que insistia em dizer coisas impossíveis só para ferir ele?

Lavínia viveria muitos anos.

E eles três, como família, viveriam felizes para sempre.

— Se você insiste nisso, então eu te desejo que consiga o que quer!

Carregando a própria raiva, Pedro saiu levando Raíssa.

Num piscar de olhos, Lavínia foi jogada na cama pelos sequestradores, que começaram a tirar suas roupas.

— A Raíssa é realmente habilidosa. Aqueles dois realmente acreditaram.

— O Pedro é um idiota. Por causa daquela Raíssa cheia de artimanhas, deixou a própria esposa aqui. Eles nunca pensaram no que pode acontecer quando essa mulher passa uma noite com a gente?

— Não pense demais. Vamos fazer como a Raíssa mandou: deixar o corpo inteiro marcado e amanhã largar no local do casamento!

— Que delícia! A gente ainda vai dormir com a esposa do Pedro!

A garganta de Lavínia se contraiu; ela virou o rosto e vomitou uma grande poça de sangue.

A dor no estômago fez seu corpo inteiro entrar em convulsão; o sangue se acumulava por dentro, chegando a jorrar até pelas narinas.

Os dois sequestradores se assustaram e estenderam a mão para verificar a respiração de Lavínia.

No segundo seguinte, um deles caiu sentado no chão, com o rosto tomado pelo pânico.

Lavínia se encolheu, a visão alternando entre preto e branco, o zumbido incessante nos ouvidos.

Na mente, só ecoava repetidamente aquela frase de Pedro:

"Se você insiste nisso, então eu te desejo que consiga o que quer!"

Lavínia riu entre lágrimas.

Conseguir o que queria?

Então que todos eles consigam o que desejam!

"Pedro, você não precisa mais me ver. Amanhã, no casamento, case com quem você realmente ama."
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