Ao abrir os olhos novamente, Lavínia se encontrava em um galpão abandonado, amarrada com cordas.
Raíssa estava sentada em uma cadeira, entediada, fazendo as unhas.
Ao ver Lavínia despertar, ela sorriu docemente.
— Você finalmente acordou.
Lavínia manteve os nervos à flor da pele, confusa.
— O que você quer afinal?
Seus dias estavam contados; ela não representava ameaça alguma para Raíssa.
Pedro e Diego já haviam mudado de coração havia muito tempo.
No dia seguinte, ela partiria sozinha para um lugar onde ninguém jamais a encontraria.
Por que, então, Raíssa a havia sequestrado?
Raíssa abriu um sorriso radiante.
— Você não está curiosa? Se nós duas estivermos em perigo de vida, quem será que Pedro e Diego vão escolher?
— Quer apostar?
Antes que terminasse de falar, um homem se aproximou e fez a ligação.
Assim que a chamada foi atendida, Lavínia começou a chorar sem conseguir se conter.
— Pedro, me salva! A Lavínia marcou de me encontrar, mas fomos sequestradas no caminho! Eles querem dinheiro; se não pagarem, vão me bater! Eu estou com muito medo!
Pedro ficou atônito por um instante e logo ficou tenso.
— Onde vocês estão? Você está bem?
O homem com o telefone falou:
— Agora sua esposa e sua amante estão nas minhas mãos. Eu quero um milhão de dólares! O pagamento é hoje. Vou mandar o endereço depois. Dinheiro na mão, gente liberada. Caso contrário...
— Tudo bem! Eu vou levar o dinheiro!
A voz de Pedro tremia incontrolavelmente.
— Eu vou pagar! Mas você tem que garantir que a Raíssa saia ilesa!
— Quanto a isso, fique tranquilo. Somos homens de palavra. Desde que o dinheiro chegue, com ela não vai acontecer nada.
— Que bom.
Só então Pedro suspirou aliviado.
— E a Lavínia? Ela está bem?
Lavínia achou aquilo risível.
Só agora Pedro se lembrava da existência dela.
Se a sequestrada fosse apenas ela, talvez Pedro nem acreditasse.
— Ela está bem. Vá preparar o dinheiro.
A ligação foi encerrada.
Os dois sequestradores também amarraram Raíssa com cordas.
Não demorou muito para Pedro ligar novamente.
Cada sequestrador puxou uma delas, levando Lavínia e Raíssa para fora.
Só então Lavínia percebeu que estavam na montanha.
Caminharam até a meia-encosta, onde finalmente surgiram as figuras de Pedro e Diego.
No mesmo instante, Raíssa começou a chorar copiosamente.
— Pedro, Diego, me salvem!
Os dois entraram em pânico.
— Raíssa!
— Raíssa, fica tranquila, eu vou te salvar!
Lavínia também estava ali.
Comparada a Raíssa, seu estado era ainda pior: o rosto completamente pálido, mal conseguia se manter de pé.
Mesmo assim, toda a atenção deles estava voltada apenas para Raíssa.
Lavínia fechou os olhos lentamente.
Não é que quem chora seja amado — é o coração das pessoas que escolhe para quem pender.
No coração deles, ela já não existia havia muito tempo.
Pedro jogou a mala no chão.
— O um milhão de dólares está aqui! Soltem as duas!
Um dos homens pegou a mala, abriu a mala e, ao ver o dinheiro dentro, riu.
— Um milhão de dólares só dá para resgatar uma pessoa.
A expressão de Pedro se quebrou.
— Você não disse um milhão de dólares? Está voltando atrás!
— Você entendeu errado. Eu nunca disse que um milhão de dólares levaria duas pessoas. É um milhão de dólares por pessoa. Traga mais um milhão de dólares amanhã e poderá levar as duas.
— Sr. Pedro, agora me diga: quem você quer levar primeiro?
Por um instante, o silêncio foi absoluto.
Pedro, com o rosto tenso, olhou para Lavínia.
Diego segurou a manga do paletó de Pedro, também atônito.
Nesse momento, Raíssa soltou um grito e caiu de joelhos.
— Está doendo muito! — As lágrimas escorriam sem parar; ela respirava com dificuldade, como se o estômago tivesse sofrido um impacto devastador.
Em seguida, balançou a cabeça, chorando.
— Levem a Lavínia! De qualquer forma, eu já tenho câncer, sou um peso morto, posso morrer a qualquer momento! Deixem eu morrer!
— Impossível!
— Raíssa, não diga besteira! Como você poderia ser um peso morto? Quem é um fardo é outra pessoa!
Quando aquelas palavras caíram, Lavínia ouviu nitidamente o som do próprio coração desistindo.