Capítulo 2
— Pensem o que quiserem.

Lavínia não discutiu mais, levantou e saiu.

Pedro ficou atônito; achou que Lavínia iria repreender Diego.

Afinal, o que Diego havia dito fora cruel demais.

Lavínia subia as escadas quando Raíssa a seguiu.

— Irmã, faz tanto tempo que não ficamos juntas. Vou te fazer companhia.

Ela se aproximou de Lavínia e, com um sorriso nos lábios, disse em voz baixa:

— Você é mesmo uma vagabunda. Trouxe o laudo do exame achando que podia arrancar Pedro e Diego de mim? Continue sonhando! Eu não vou deixar você conseguir!

De repente, ela segurou a mão de Lavínia:

— Irmã, não faça isso, eu sei que errei!

No segundo seguinte, puxou Lavínia, e as duas despencaram pela escada abaixo; a cabeça de Lavínia bateu nos degraus, espalhando sangue pelo chão.

A mente de Lavínia zumbiu instantaneamente; antes mesmo que pudesse reagir, ouviu as vozes aflitas de Pedro e Diego.

— Raíssa!

— Raíssa!

Raíssa chorou e disse:

— Irmã! Eu não quis tomar Pedro e Diego de você! Eles só sentem pena de mim porque meu tempo é curto e querem cuidar de mim! Por que você me empurrou pela escada abaixo?

Pedro rugiu:

— Lavínia, você enlouqueceu! Raíssa é uma paciente!

Ao ver Raíssa sangrando, Diego lançou um olhar feroz para Lavínia:

— Eu não tenho uma mãe como você! Eu te odeio!

Os dois ignoraram completamente o fato de Lavínia também estar sangrando e se apressaram em erguer Raíssa ferida nos braços.

Antes de sair, Pedro disse:

— Diego, fique e cuide da mamãe.

Diego recusou sem pensar:

— Eu não quero! Ela fez a Raíssa se machucar; se morresse, seria bem feito! A Raíssa é a mais importante!

Pai e filho foram embora sem hesitar; olhando para a porta vazia, a visão de Lavínia escureceu, e ela desmaiou.

Quando abriu os olhos novamente, ainda estava deitada no chão.

Seis horas haviam se passado; o sangue no piso já tinha secado, e pai e filho não tinham voltado.

Lavínia soltou um sorriso de escárnio.

Esse era o seu bom marido, o seu bom filho.

Abandonaram sem a menor hesitação para cuidar de Raíssa, que fingia estar doente, sem se importar nem um pouco com sua vida ou sua morte.

Lavínia se levantou com dificuldade e, antes de subir, lançou um olhar para o calendário na parede.

Pegou uma caneta e circulou a data de quinze dias depois.

Restavam quinze dias para que ela pudesse ir embora.

Romper para sempre com aquele pai e aquele filho, sem nunca mais cruzar com nenhum dos dois.

Quando pai e filho retornaram, já haviam se passado três dias.

Raíssa estava internada, e eles não se afastavam um passo sequer dela.

Comparados aos ferimentos leves de Raíssa, o impacto que Lavínia sofreu na cabeça ao bater nos degraus fora muito mais grave.

Quando Diego voltou, a primeira coisa que fez foi acusar Lavínia.

— Mãe, por que você não foi ver a Raíssa? Ela teve uma concussão por sua causa, você devia ir pedir desculpas.

Olhando para Diego, Lavínia teve vontade de rir.

— Ela se machucou, e eu não me machuquei?

Só então Diego se lembrou de que Lavínia também havia caído da escada.

Mas logo fez uma expressão de desdém.

— Isso foi bem feito! Se você não tivesse inveja da Raíssa, isso não teria acontecido!

As palavras de Diego eram como facas cravadas no coração.

Ela olhou para ele em silêncio; Diego ficou um pouco apreensivo e se escondeu atrás de Pedro.

Pedro disse:

— Por que você vai discutir com uma criança?

Ele estendeu a mão.

— Deixa eu ver se o seu ferimento é grave.

Lavínia se esquivou.

Ela não precisava dessa preocupação tardia.

A mão ficou no vazio; Pedro ficou atônito.

A expressão de rejeição de Lavínia o deixou desconfortável; ele franziu a testa.

— Raíssa é sua irmã. Ela está com câncer gástrico e não vai aguentar nem dois meses. Por que você insiste em competir com ela? Você acha que alguém que está prestes a morrer ainda pode disputar algo com você?

— Lavínia, não seja tão egoísta!

Egoísta?

Lavínia só quis rir.

Eles estavam errados.

Todos eles estavam errados.

Quem tinha câncer era ela; quem estava prestes a morrer também era ela!
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