A Sopa Inesperada e o Furo no Dossiê
Marina Duarte
Eu estava sentada na cama, envolta em um cobertor gasto, com o laptop fechado e o coração ainda palpitando com as manchetes do “Dossiê Davis”. As fotos de Brian com mulheres que pareciam ter saído de passarelas de Milão eram o meu escudo. Elas eram a prova irrefutável de que o homem que me salvara era um predador de luxo, e que a minha gratidão era apenas mais uma emoção barata que ele usaria e descartaria.
Eu havia tomado minha decisão: ser fria, ser profissional e evitar qualquer contato. Eu sobrevivi a Rick; eu sobreviveria a Brian. Teria que ver outro emprego. Não me sinto segura mais no pub.
O silêncio do meu pequeno apartamento era quebrado apenas pelo sussurro do aquecedor, anunciando o começo da madrugada londrina. E então, ele tocou.
A campainha. Três toques curtos e impacientes.
O meu corpo disparou um alarme. Quem seria a essa hora? Assustada, eu me levantei e andei na ponta dos pés até a porta, espiando pelo olho mágico