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Você é a ultima por quem me apaixonaria!

Angélique Mayers

Escutei os passos, mas mantive os olhos no tamanco de salto que seria transparente, não fosse a faixa felpuda segurando meus dedos.

— Não?

— Não vou fingir que sou altruísta. Provavelmente estou tão fodido quanto você, Angélique. Se acha que perder seguidores é ruim, então imagina perder tudo, porra. — O encarei, e, pela primeira vez, enxerguei a aflição na cara do idiota. Queria dizer que estava feliz por isso, mas nunca faria isso. — Ou eu arranjo uma namorada e sossego, ou o técnico vai me chutar do time. — Quando Nolan percebeu que eu não diria nada, continuou. — Você não é a única a um passo de perder tudo. Posso salvar sua carreira, você pode dar o troco naquele filho da puta. Só tem que me ajudar.

— Precisa melhorar a sua imagem. Por que acha que eu seria uma boa escolha? Você não ganharia nada se associando a uma mulher que está sendo cancelada por odiar justamente a sua profissão, Nolan. Perdeu a cabeça?

— Não me lembro de você ser burra, Chuck.

— O que disse? — Questionei, e por mais que quisesse deixar meu lado estressado me dominar, sabia que esse era justamente uma das razões para eu ter o maldito apelido.

— Você não odeia o jogo, odeia aquele time. Diga simplesmente que sempre foi uma fã do Chicago Vipers, e que por isso seu ex imbecil está espalhando todas essas merdas.

— Não acho que vai funcionar...

Na verdade, achava genial, mas não diria em voz alta, mesmo que me colocassem sob tortura.

— Barbie, é perfeito. — Eva se levantou, deixando o espaço ao meu lado. Começou a andar de um lado para o outro, com a mão na cintura, e eu sabia que, quando ela pensava assim, estava traçando estratégias, posts novos, salvação. — Se você for convincente o bastante, pode ser o suficiente para acabar com as críticas. Você nem consegue sair na rua, e já tentam te atacar.

— Merda, isso é sério? — Nolan questionou, mas eu não precisava de uma falsa proteção vinda dele.

Aquele homem não tinha que fingir se importar com o meu bem-estar. Mesmo assim, imaginei como seria voltar a ser livre. Seria bom poder ir aos shoppings e tirar fotos com meus fãs, em vez de correr risco de me jogarem a porcaria de um suco gelado na roupa, ou ouvir xingamentos bastante agressivos.

— Não finja que liga. — Disse.

Nolan revirou os olhos, andou mais alguns passos e afundou no sofá ao meu lado. Era irritante que o braço musculoso do idiota tivesse encostado no meu. Mas foi pior perceber que ele parecia bastante à vontade ao colocá-los no encosto do sofá. Parecíamos realmente íntimos naquele momento.

— Não tenho que fingir nada, querida. Deixei isso para o seu ex-namorado.

— Você é um cretino! — O encarei, incrédula.

No fundo, no entanto, eu sabia que Lúcifer disse apenas para me irritar. — Nunca disse que não era. Provavelmente é por isso que estou me humilhando ao pedir essa merda a você. — Disse, me encarando. E que merda, ele estava perto o bastante para que eu conseguisse sentir o cheiro do caramelo mentolado que ele tinha na boca, e que só notei agora, ao encará-lo... por tempo demais... quase hipnotizada... Merda, ele percebeu e sorriu. — Você tem que sair do fundo do poço, e eu posso te ajudar com a vingança. Vou acabar com o desgraçado dentro e fora do campo, e, em troca, você me ajuda a melhorar a imagem. Preciso parecer um santo.

— Impossível.

— Apenas tente.

— Mas...

— Sim ou não, Chuck. O que me diz?

Eva me encarou cheia de expectativas. — Barbie... não temos saída.

— E então?

Tamborilei os dedos sobre as coxas, enquanto a enxurrada de memórias me atingia. Ver Nolan beijando a reitora foi impactante e machucou mais do que eu conseguia aguentar, na época. Não que ele saiba que vi ou ouvi cada merda que ele disse a ela naquela noite. Como eu conseguiria conviver com ele quando ainda tinha tanta mágoa Mas, ao mesmo tempo, não tinha opções. Sabia que ele faria o necessário para cumprir sua parte do acordo, assim como eu, mas ainda assim haveria riscos, porque, mesmo após cinco anos o odiando, percebi que minha imunidade contra Nolan não era tão sólida quanto pensei.

Quero arriscar meu coração outra vez? Sim ou não, Angel... mentira ou consequência...

— Seus assessores sabem que está propondo isso? — Questionei, porque precisava saber onde estava pisando.

— Sabem. Assim como o advogado.

— Ah, temos advogado, então?

— São termos, Chuck. Acha que vou confiar em você a esse ponto? Como posso saber que não vai vender o segredo.

Não preciso vender o segredo de um defunto, seu infeliz. E é justamente nisso que queria transformá-lo, por insinuar que não sou confiável, quando foi ele quem quebrou todas as promessas da nossa amizade, em uma porcaria de contrato feito em um papel destacado do meu caderno, e que, até hoje, não fui capaz de jogar no lixo.

— Sou mais confiável que você, Lúcifer.

— Isso quer dizer que aceita?

Suspirei derrotada, mas Nolan não. Claro que ele tinha que exibir as malditas covinhas quando sorriu em comemoração a sua vitória. — Tenho algumas condições. — Soltei.

— Veremos todas elas com os advogados, Chuck. — Disse, se levantando. — Poderá escolher o que quiser, contanto que concorde com os meus termos.

— E quais são eles?

— Amanhã, namorada. — Eu senti a ironia, mas preferi me manter calada. — Meu advogado vai nos explicar tudo. Vou mandar o endereço para o seu celular.

— Você quer o número? — Eva questionou, abrindo a pasta com os contatos, embora nós duas soubéssemos que ela o havia decorado há anos.

Ele se afastou com a mesma arrogância de sempre, ajeitou a jaqueta e caminhou até a porta sem olhar para trás. — Você já aceitou, Chuck. Não ouse desistir agora. Se eu cair, eu te puxo junto.

A porta bateu, deixando o silêncio pesado no apartamento. Eva se jogou ao meu lado, os olhos arregalados.

— O que foi isso? Como assim ele nunca apagou? Angel... o seu número é o mesmo desde o ensino médio...

Eu não conseguia responder. Meu coração martelava contra as costelas. Nolan Kingston não apenas tinha meu número; ele admitiu que o guardou por cinco anos. Cinco anos de silêncio, cinco anos de mágoa... e ele ainda tinha a chave para entrar na minha vida com uma única mensagem.

O celular sobre a mesa vibrou.

Desconhecido: Esteja pronta às nove. E use aquele perfume de baunilha que me deixava louco. Se vamos mentir, vamos fazer direito.

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