Mundo de ficçãoIniciar sessãoAngélique Mayers
“Nunca me apaixonaria por alguém como você.”
Quem Nolan pensa que é?
Ainda estava apaixonada por aquele idiota? Não, mas a frase foi um belo tapa na minha cara e fez muito mal a um ego que já não era lá grandes coisas.
Dei um tapa na mão do idiota e senti o peito arder ao perceber que aquilo arrancou uma gargalhada do fundo de sua garganta. Ao menos ele se afastou o suficiente para que eu conseguisse respirar sem o perfume invasivo... mentira, era uma delícia, quem eu estou tentando enganar?
— Também nunca me apaixonaria por você, imbecil.
Foi a minha vez de rir, porque a expressão no rosto dele foi impagável. Por Deus, eu adoraria estar filmando essa cena patética acontecendo bem no meio da sala do meu apartamento.
— Então me prove, Chuck. Aceite a minha proposta. — Eu sabia que ele estava jogando comigo.
Nossas interações costumavam ser assim quando ainda éramos amigos. Quase a porcaria de uma tradição, num jogo idiota que eu deixei no passado e enterrei bem fundo.
— Não tenho que te provar nada. Se já terminou, pode sair agora. A minha resposta para você ainda é não, Lúcifer.
Dei as costas e me afastei por apenas dois gloriosos segundos de paz, até Eva colocar as mãos nos meus ombros, impedindo que eu pudesse escapar daquela conversa de merda. — Barbie...
— Eva, não. Se você tem amor à sua sanidade mental, não me peça para fazer isso. — Fui firme, encarando minha amiga.
Aquela era a única pessoa que entendia pelo que passei. Foi no ombro dela que chorei até superar o Nolan o bastante para achar que podia seguir em frente e começar a namorar alguém que pensei que valesse meu tempo.
Aparentemente, meu dedo para homens não era podre, era cadavérico, porque só isso para justificar tanto azar.
Chutada uma vez? Ok.
Duas vezes, e com um belo par de chifres? Patética!
E o pior era não conseguir deixar de me culpar tanto.
Mas isso era para eu aprender que jogadores não eram para mim. Por que eu não podia simplesmente me apaixonar por um empresário? Até um mafioso meio louco seria melhor que isso.
Minha amiga ainda analisava minha expressão, calada, mas eu sabia o que o silêncio dela significava. — Sei que ficar com esse imbecil é a última coisa que você faria no mundo, mesmo se sua vida dependesse disso. Nem eu proporia esse absurdo, porque alguém como esse cara...
— Ei, eu estou ouvindo você, Eva. — Nolan protestou.
— Sei disso, idiota. Se não quisesse que você escutasse, estaria sussurrando. — Segurei o riso, mesmo que ferir os sentimentos do quarterback idiota fosse a menor das minhas preocupações. — Mas, infelizmente, amiga, sua vida depende.
— Eva...
— Só me escuta. — Pediu. Quase implorou, na verdade, e eu sabia que ela estava desesperada para resolver nossa situação. — O seu ex tem espalhado mais coisas sobre você e...
Nolan soltou somente um riso. Solitário, mas irônico o bastante para que eu o encarasse. Queria arrancar a expressão do rosto daquele infeliz, mas sabia que havia algo escondido por trás das palavras da minha amiga.
— Falado... — Nolan resmungou.
— Tem algo que queira me contar, Lúcifer? — questionei, irritada.
— Não é o que ele está falando, porra. É o que está mostrando por aí. Mas aparentemente, sua assessora gosta de te poupar... — Os olhos dele encontraram os de Eva, numa conversa silenciosa e crítica Mas não adiantaria pedir que Nolan calasse a boca, porque eu não permitiria isso.
Se algo estava acontecendo, eu tinha que saber.
— Do que ele está falando, Eva?
— Amiga...
— Os cornos são mesmo os últimos a saber... — Nolan murmurou, mas não estava rindo. Na verdade, ele parecia sombrio.
— Ah, pelo amor de Deus, só fica quieto. Nem era para você estar aqui. — Revidei, encarando minha amiga pálida e com uma expressão de culpa bem escandalosa. — Me diga!
Sabia que meu ex imbecil havia saído com strippers e também sabia que ele andava espalhando que eu odiava ir aos seus malditos jogos de futebol americano. Isso causou uma enxurrada de críticas no meu perfil do I*******m. Mas o idiota esqueceu de mencionar que me deixava sozinha, exposta a todos os seus amigos bêbados e com mãos bobas. Agora eu estava perdendo seguidores, e nenhum pronunciamento feito até o momento conseguiu frear a minha decadência.
Um desastre.
— E então...
— Amiga, não tem um jeito mais fácil de dizer isso, sabe...
— Porra, vai ficar enrolando? — Nolan resmungou quando percebeu que Eva se calou mais uma vez. Se ele sabia, então que me contasse, droga! O encarei, não apenas afrontando, mas deixando claro que não sairia daquela sala sem entender cada detalhe. Por isso que Nolan me encarou, e simplesmente soltou a bomba. — O Brody Vance acabou de postar que vai ser pai. Ele assumiu aquela modelo, Chuck. Três semanas de gravidez.
Por que o mundo parecia girar?
Eva me segurou quando percebeu que eu não estava bem. Com a ajuda da minha amiga, sentei no sofá sob o olhar observador do meu maior inimigo. E eu odiei o quanto ele provavelmente pensou que eu era patética por me importar com um cara que sempre saía em fotos com outras mulheres, e depois inventava a desculpa mais idiota do mundo para justificar as escapadas.
“Ela me beijou de surpresa.”
“Eu não tive culpa, meu bem. Os caras chamaram as mulheres, e quando vi, a foto já tinha sido tirada, mas não toquei em ninguém, juro.”
“Sou homem, e não aguento mais esperar...”
“A culpa foi toda sua por não dar o que preciso.”
Esfreguei o rosto, limpo de qualquer maquiagem, e, mesmo que o nó tivesse se instalado na minha garganta, chorar seria a última coisa que eu faria por Brody.
— Vai mesmo deixar esse cara te derrubar? — A voz de Nolan parecia girar dentro da minha cabeça como um eco irritante.
— Não finja que se importa comigo, Lúcifer. Você não é o herói aqui. Não está fazendo isso por mim, e nem adianta fingir que se importa. Acho que estava louca quando disse que te amava no passado. E quer saber? Saí da minha casa!
— Não!







