Isso é um absurdo, Nolan!

Angélique Mayers

E eu não consegui engolir a dor, nem ignorar o fato de que estava abraçada à primeira pessoa que partiu meu coração, porque me escondia do segundo. A quão patética eu ainda podia ser?

— Ele me traiu... e agora eu não tenho mais ninguém.

— Seja minha.

Senti o sangue gelar, deixando apenas os escombros de uma mulher totalmente quebrada. Por que ele fazia aquilo agora? Por que ser tão cruel quando havia me rejeitado no passado, quando escolheu outra pessoa e destruiu tudo que nós tínhamos juntos?

— Você está brincando comigo?

— Preciso de uma namorada fake, Chuck. Não tem que se casar comigo. Você vai garantir que o babaca não chegue perto de você outra vez, e eu melhoro a minha imagem.

— Por que eu aceitaria isso?

— Porque acho que não tem opção.

Não tenho opção?

Há cinco anos, eu era uma tola apaixonada que teria feito de tudo por Nolan Kingston. Há dois anos, eu era a tola que acreditava em Brody Vance. E agora ele me pedia para ser enganada mais uma vez?

Ele havia dito que nunca ficaria com alguém como eu, então por que me escolher?

— Não! — Cruzei os braços, meio defensiva. — Você pretende zombar de mim de novo?

— Olha só. A minha fama está prestes a acabar com a minha carreira. Tudo pelo que lutei durante anos.

— E por que isso seria problema meu?

— Porque a sua também está à beira de desmoronar, Chuck.

— Não me chame assim! — me exaltei, ao lembrar do maldito apelido que ele usava como se ainda tivesse esse direito. — Não vou ser sua namorada, Lúcifer. Você nunca vai tocar em mim.

— Não tem que se preocupar com isso. — Ele disse, rude, mas despreocupado o bastante para me fazer acreditar que aquele homem não me desejava. — Você é a última mulher no mundo que eu procuraria para uma transa, não se preocupe.

Não consegui disfarçar a expressão de tristeza no meu rosto, mas tentei me convencer de que Nolan pensaria ser por causa do Brody e da traição. Ergui o queixo e o encarei com mais firmeza, ignorando a pele pálida e o rosto molhado. — Se não quer isso, então por que a proposta ridícula?

Nolan andou até o armário e vestiu uma calça de moletom cinza. Cruzou os braços musculosos em frente ao corpo sem camisa, enquanto me encarava com a arrogância típica dele. 

— Um namoro de mentira, Chuck. — A gargalhada dele me irritou quando revirei os olhos. — Não vamos precisar de toques no privado para isso.

— Mas em público, sim?

— O que acha?

Suspirei, agora mais irritada que triste. — Não sou esse tipo de pessoa, Lúcifer. Não engano meus seguidores em busca de mais fama, então não vou me torturar a esse ponto apenas porque estou em uma fase ruim. — Desviei o olhar, enquanto limpava as lágrimas. — Você é popular com as mulheres, embora eu não consiga entender o que elas veem em você. — Os olhos dele brilharam em uma ironia não dita, e eu sabia o motivo. Era ele, jogando na minha cara que eu fui uma delas. — Por que não encontra uma louca o bastante para aceitar essa sua proposta ridícula, hein?

Nolan lambeu os lábios, ainda mantendo o mesmo sorriso arrogante no rosto. — Porque você me odeia, Chuck. — Percebendo a confusão estampada no meu rosto, Lúcifer se aproximou um passo, colocou as duas mãos no meu rosto e me encarou, curvando-se até que nossos rostos estivessem no mesmo nível. — Namorando você, não tenho que me preocupar com sentimentos, porque nunca, jamais, seria capaz de me apaixonar por alguém como você.

“Nunca me apaixonaria por alguém como você.”

A frase parecia simples e sincera. Foi exatamente por isso que pareceu ter arrancado meu coração e pisado em cima.

Precisei me afastar para evitar que ele visse a dor nos meus olhos. Mas por que, depois de cinco anos, isso ainda parecia me machucar tanto?

— Também nunca me apaixonaria por você...

— Então me prove, Chuck. Aceite a minha proposta.

— Não tenho que te provar nada. A minha resposta para você ainda é não, Lúcifer.

— Vai mesmo deixar esse cara te derrubar? — A voz de Nolan parecia girar dentro da minha cabeça como um eco irritante.

— Não finja que se importa comigo, Lúcifer, porque você não é o herói aqui. Acho que estava louca quando disse que te amava no passado.

— Não faço a menor ideia do que te fiz, Chuck. Mas tenho certeza de que não engravidei uma amante enquanto estava com casamento marcado.

Porque o mundo parecia girar?

Nolan me segurou quando percebeu que eu não estava bem. Com ajuda, sentei-me no sofá sob o olhar observador do meu maior inimigo. E eu odiei o quanto ele provavelmente pensou que eu era patética por me importar com um cara que acabou de me trair.

Mas eu só conseguia pensar: há quanto tempo isso estava acontecendo?!

— Isso... isso não é verdade. Você está mentindo só para eu aceitar.

— Chuck...

— Não! — Ergui os olhos. — Você não é exatamente honesto, Nolan Kingston. Não vamos começar a fingir agora, vamos?

Cobri o rosto com as mãos. Não era apenas desespero; eu também sentia vergonha agora.

— Não tenho que fingir nada, querida. Deixei isso para o seu ex-namorado. — O sofá pendeu quando ele sentou ao meu lado. Eu odiava a forma como ele acariciava as minhas costas enquanto eu chorava, mas não consegui afastá-lo. — Você tem que sair do fundo do poço, e eu posso te ajudar com a vingança. Vou acabar com o desgraçado dentro e fora do campo, e, em troca, você me ajuda a melhorar a imagem, Chuck. É uma excelente proposta, na verdade. Sim ou não, Angélique. O que me diz?

Ver Nolan beijando a reitora no passado foi impactante e machucou mais do que eu conseguia aguentar. Como eu conseguiria conviver com ele quando ainda tinha tanta mágoa?

Não, não posso fazer isso.

— E se eu disser sim, o que acontece?

— Vamos assinar um contrato.

— Contrato?

— Não achou que eu confiaria em você, achou?

Quis gritar, bater nele por ser um maldito manipulador. Ele insinuava que eu não era confiável, quando foi ele quem quebrou todas as promessas da nossa amizade. Que quebrou meu coração!

— Tenho condições também...

Como: "Por favor, não me destrua outra vez, porque já não restou nada..."

— Amanhã, namorada. — Nolan escancarou a porta e, depois de se certificar de que Brody havia sumido, praticamente me expulsou do quarto. Me arrastei até a porta e olhei por cima do ombro. — Você já aceitou, Chuck. Não ouse desistir agora, porque se eu cair, eu te levo comigo.

— Ah, é? — Olhei para a porta fechada, tão atordoada que quase não me lembrava de como se saía dali. Como podia existir alguém tão insuportável quanto Nolan? Ele me dava segurança com uma mão, só para arrancá-la de mim sem o menor remorso no segundo seguinte. Bati a porta com toda a minha força e gritei: — Eu ainda não aceitei!

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