Mundo de ficçãoIniciar sessãoAngelique Mayers
Eu já tinha aceitado aquela proposta absurda, mas simplesmente não consegui encontrá-lo no dia seguinte. Uma enxurrada de memórias colocava à prova cada sim que disse a ele dois dias atrás, e droga, sei que precisava de ajuda, o problema era que meu coração se recusava. E foi por isso que encarei a mensagem pela milésima vez, sem me importar que estava sendo rude ao não dar atenção em meio a um evento importante.
>Lucifer: Fugindo de mim, Chuck?<
O que eu deveria responder? Sim, estou?
Sabia que um homem como ele não gostaria dessa resposta, e que havia dito que não tinha mais volta depois de aceitá-lo, mas estava nervosa o suficiente para adiar pelo máximo de tempo que fosse necessário.
— Barbie? — Bloqueei a tela do celular e encarei uma Eva muito séria. — Foco. Celular, se for postar, lembra?
Assenti, porque sabia que, durante as obrigações, não éramos apenas amigas. — Só estou um pouco nervosa. Todas essas perguntas estão me deixando muito ansiosa.
— Sabe que, se estivesse namorando certo jogador, seria diferente agora, não sabe? — Eva não deixou que respondesse, virando-se de costas ao se afastar para coordenar algo que havia desviado do seu controle metódico.
Depois de tirar fotos com pessoas e atender o maior número delas, relaxei um pouco e, mesmo sabendo que provavelmente seria um erro, peguei um copo com algum tipo de bebida forte quando o garçom passou por mim.
Sozinha, apenas observando a mesa com petiscos, levei o maior susto da minha vida quando uma mão quente deslizou pela minha nuca. O corpo inteiro reagiu, como não acontecia há anos. Desde que Nolan e eu nos afastamos, procurei em outros a mesma conexão, mas, depois de tanto tempo, isso pareceu um sonho distante.
Assustada, me virei, apenas para perceber da maneira mais frustrante que ele ainda me causava as mesmas reações. Droga, foi ele o culpado e, evidentemente, estaria rindo de mim, feliz por perceber que ainda tinha algum efeito estranho sobre meu corpo.
— Seu celular quebrou? — Foi a forma dele de romper o maldito silêncio constrangedor entre nós.
— O quê? — Questionei, confusa. — Por que está perguntando isso?
— Seria a única justificativa para não responder às mensagens do seu namorado, certo? — A forma como ele disse pareceu irônica, mas foi o sorriso cínico que o delatou totalmente.
Nolan costumava rir assim no passado, e eu costumava ter um filete de baba escorrendo pelo queixo. Mas não agora, porque me recuso a deixar que isso volte a me dominar.
— Não somos nada um do outro.
— Não somos ainda, ou não seremos? — Quis saber, agora, parecendo irritado como não estava há segundos atrás.
— Olha, na verdade, eu acho que isso entre mim e você jamais daria certo. Nos odiamos, e eu não sei esconder o que sinto, Nolan. Nós dois sabemos que ninguém vai acreditar nessa farsa, muito menos que vamos nos suportar por tempo o suficiente.
Nolan me rejeitou no passado, e parecia entender que eu fazia o mesmo com ele agora, de propósito, mas, merda, eu nunca faria isso por vingança. Como explicar, no entanto, que tanto tempo se passou e não posso ficar perto o suficiente sem sentir que vou voltar a amar o imbecil?
Ele nunca terá esse gostinho de mim.
Nunca!
O problema não foi o que disse, mas o que ele fez depois, no entanto. — Discordo, Chuck. — Os passos para mais perto me deixaram atordoada. — Nos odiamos, é verdade. Mas também conheço seus gostos, sei das preferências, o que já passou, e até memórias de infância, porra. Não conheço nenhuma mulher que sequer me lembre o nome, então não existe outra opção para mim. Não olhe nos meus olhos agora e diga que está desistindo, porque eu não vou aceitar.
Senti a parede fria bater contra as minhas costas, e foi quando percebi que recuei cada passo que Lúcifer deu em minha direção. Colocando uma de suas mãos grandes contra a parede, engoli em seco ao perceber que ele estava me encurralando. Droga, era uma tentativa cretina de me seduzir?
Porque estava quase caindo.
— O que... o que está fazendo, Lúcifer?
Encarei a mão que deslizou pela lateral do meu braço, até se enveredar pela cintura fina, parando no quadril, onde ele apertou. Meus olhos se encontraram com os dele, e percebi que não havia um sorriso ali. Nolan estava tão sério quanto eu, encarando minha boca como um maldito predador, mas sem avançar um milímetro, sem emitir qualquer som.
Tentei sair, ele não permitiu, me prensando contra seu corpo forte. E droga, mesmo que me debatesse, não conseguiria escapar. Além de forte, o maldito tinha bons vinte e seis centímetros a mais que eu.
Encarei o movimento da língua quando ele umedeceu o próprio lábio, balançando a cabeça em um sinal negativo ao mesmo tempo. — O que você...
— Te deixo nervosa, Chuck? — brincou, afundando ainda mais os dedos contra o tecido fino do vestido rosa.
— Óbvio que não. — Sorri, mas soou tão falso que morreu antes mesmo de começar.
O rosto dele se inclinou até a curva do meu pescoço, e eu sabia que estávamos sendo observados. Pensei em empurrá-lo quando finalmente entendi o jogo do desgraçado manipulador. Ele queria que nos vissem assim, que surgissem os boatos até eu não ter mais saída.
Espalmei as mãos contra o peito rígido de músculos, mas não esperava o rastro elétrico que percorreu meu corpo inteiro.
— Entra na onda, Chuck... — Murmurou contra o meu ouvido.
— De quê?
Antes de ter qualquer resposta, o rosto dele desceu em direção a mim. Os lábios se colaram e droga, por mais que meu cérebro tenha dito para resistir à invasão da língua de Nolan, fiz exatamente o oposto. O beijei de volta, droga. Deixei claro que ele ainda me afetava e que ainda sentia o mesmo desejo de tantos anos.
Mas, talvez aquilo fosse apenas meu, porque foi quando Nolan finalmente me soltou. Ainda com as pernas trêmulas, a respiração alterada e minhas mãos agarradas à camisa dele como se fosse a única coisa que me mantinha de pé, ouvi a voz logo atrás de nós que me fez entender tudo: Para mim pode ter sido um sonho, mas era só um jogo para ele.
E parabéns, Angelique, você caiu no lendário charme Nolan outra vez.







