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Capítulo dois - Acompanhante de luxo

Eu engulo o nó na garganta enquanto olho mais uma vez para o homem que ainda amo. Seu olhar é tão frio que uma sentença de morte seria menos dolorosa do que o desprezo dele. Leonard ri; ele não acredita que eu possa ter um namorado. Ninguém acredita, mas eu estou pronta para provar que eles estão errados.

Entro no meu quarto para tentar me concentrar, mas o celular pisca com uma nova notificação: "Serviços de Acompanhamento Premium. Encontre o seu par perfeito para eventos exclusivos."

Agarro o celular. Havia me cadastrado para aquilo minutos atrás, em um pico de desespero. Imediatamente, anoto o endereço e me preparo.

Pego minha bolsa e enfio o cartão com todas as minhas economias. Não pesquiso referências, não checo a segurança. Olho apenas para o endereço e para o dinheiro que vou investir. Não importa se vou gastar quinze mil dólares — eu preciso acabar com isso, provar para o Leonard que eu não sou uma mulher que alguém abandona no altar.

Caminho para fora do campus. A noite estrelada me surpreende. A porta se abre e, olhando para o céu, não percebo o Leonard parado na minha frente e esbarro nele. O rosto parcialmente escondido nas sombras me faz tapar os lábios para não gritar.

Ele está me vigiando. Ele seguiu meus passos desde nossa última conversa no campus. Ficar sozinha com ele outra vez, depois de ser traída e abandonada, não é como eu imaginei. O sentimento me devasta por dentro, destruindo todo o amor e respeito que um dia eu tive por ele.

— Onde está indo? — Leonard segura o meu braço e o seu toque é como ácido queimando minha pele.

Minha reação é agressiva. Eu puxo o corpo e o empurro para longe. Depois de tudo o que ele fez comigo, eu jamais permitiria que ele toque em mim outra vez.

— Não devo explicações a você — eu sussurro, tremendo de medo de que mais alguém apareça e nos veja juntos —, ou você esqueceu que me abandonou no altar para ficar com a Vivian?

— Como eu poderia imaginar que você e ela eram amigas? — Ele estava mesmo tentando justificar sua traição dessa forma. — Eu já não a amava mais, Roberta, você já não era a mulher que eu conheci.

— E esperou me levar até o altar para dizer isso?

— Você não entenderia… — Ele se calou.

Eu olhei para ele com desconfiança, fria e profunda, sem dizer uma palavra. Nem que ele passasse a noite inteira tentando me convencer de que a culpa era minha, eu não acreditaria nele. Meu estômago embrulhou. Todo o amor que eu sentia por Leonard se tornou um bolo de ressentimentos e raiva dentro do meu estômago. Se eu ficasse mais um minuto ao lado dele, vomitaria.

Naquele momento, eu não queria mais uma explicação. Eu só queria que o Leonard desaparecesse.

— Eu não entenderia como um homem que dizia me amar me abandonou e sumiu por meses sem dar uma explicação — um sorriso amargo puxou meus lábios e eu segurei as lágrimas para não chorar —, o casamento é um compromisso enorme e não deve ser desperdiçado com homens covardes como você.

Giro os calcanhares prontamente para partir, quando ele ousa me segurar outra vez. Leonard me puxa para perto, como se eu fosse um objeto que pertencesse a ele, e então ele diz:

— Não conte a verdade sobre nós dois à Vivian — os olhos dele brilhavam quando falou dela, e foi como um soco no meu estômago —, ela é a mulher que eu amo e foi por causa dela que eu abandonei você.

Pela segunda vez eu o obrigo a me soltar, só que dessa vez eu não o empurro. Quero sentir minhas mãos queimarem assim que desferir o tapa no rosto dele que venho guardando há três meses. O estalo que fez foi tão alto e assustador, que até os pombos que estavam no estacionamento romperam para o céu, temendo minha fúria.

— Nunca mais ouse tocar em mim outra vez — inevitavelmente uma lágrima desceu pelos meus olhos enquanto eu o observava massagear o rosto dolorido —, e não me diga o que devo fazer ou não. Você pagou um preço alto por esse amor; terá que ser corajoso para saber se valeu a pena ou não.

Aquilo dói como facas perfurando meu peito. Lágrimas riscam os meus olhos. Eu preciso conviver com isso diariamente e não faço ideia de quando essa dor vai cessar.

Giro os pés novamente para fora, me concentrando apenas na minha missão. A noite estrelada me surpreende. Mal me lembro da última vez que saí para fora daquelas paredes. Estou o tempo todo tão focada nos estudos que esqueço que aqui fora existe vida e que eu preciso vivê-la. Talvez por isso o Leonard tenha me abandonado. O motorista que chamei pelo aplicativo já está do lado de fora me esperando. As luzes da cidade brilham nos meus olhos, as ruas agitadas.

O carro para em frente a um hotel de luxo no centro. A placa de néon brilhante diz: "The Sovereign Lounge". Meu coração congela.

Eu vou mesmo fazer isso? Pagar essa fortuna para um homem que eu não conheço fingir ser meu namorado?

Estou a um passo de desistir. Posso inventar uma desculpa para minha mentira. Mas, se eu fizer isso, serei arruinada por esse sentimento de injustiça. Respiro fundo e desço do carro, sorrindo para o motorista para esconder minhas mãos trêmulas.

Ajeito meus óculos, que insistem em cair do meu rosto magro. Meu All Star desbotado e o vestido velho que vai abaixo do meu joelho me fazem sentir como uma aberração. Mas não há tempo para pensar sobre isso.

Caminho em passos tímidos para dentro do lounge, olhando ao redor. Em vez de uma agência, encontro um bar de luxo, repleto de empresários de terno e mulheres vestidas para impressionar.

Meu coração dispara. Limpo a garganta e me aproximo do homem mais bem vestido perto do balcão de check-in — o recepcionista do hotel.

— Quero um acompanhante — minha voz sai rouca e fraca.

Ele se vira e vejo a surpresa em seus olhos. A eliminação profissional de qualquer traço de julgamento é quase instantânea. Ele pigarreia:

— Para que tipo de eventos? E por quantos dias?

— Para um noivado — digo, ganhando um pouco de confiança. — Quero o homem mais caro que vocês tiverem.

Meus olhos se estreitam para além do atendente, fixando-se em um homem encostado na parede, mexendo no celular. Ele não está de terno, mas a camiseta preta que veste parece ter sido costurada à mão, e o relógio de pulso brilha com um luxo discreto. Ele tem uma aparência perigosa, de poder. Ele é o homem mais lindo que já vi.

Ele levanta o olhar e me encara.

— Eu quero aquele homem — apontei na direção dele. — Eu pago para que ele finja ser meu namorado por um mês.

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