A pergunta de Miguel permaneceu no ar com uma inocência cruel.
Mariana segurava a xícara com as duas mãos, mas o café tremia tanto que pequenas ondas se formavam na superfície escura.
Seus dedos apertaram a porcelana até as articulações ficarem pálidas. Ela tentou abrir a boca, tentou encontrar uma resposta simples, dessas que se dão a uma criança sem quebrar o mundo ao meio, mas nenhuma palavra veio.
O rosto de Miguel permanecia voltado para ela, tranquilo, curioso, sem imaginar que acabara