ENTRADA TRIUNFAL

ELENA

A entrada triunfal, as coisas que eu fiz e falei, a tomada da presidência da empresa, tudo aquilo foi demais. Digo demais no sentido de que tudo saiu como eu planejei, mas demais também, porque o desgaste psicológico foi bem grande.

Ver o Lorenzo, a Alessia e dois dos acionistas que já viram meu ex-marido e a amante dele me agredirem, sem mover uma palha, não foi nada fácil. É isso mesmo, eu estava em depressão, havia perdido meu bebê a poucos dias, e aqueles dois vermes se aproveitaram da minha vulnerabilidade.

Quer saber o motivo? Tudo começou porque o Lorenzo ficou irritado pelo fato de que eu parei de usar a cinta modeladora. Isso não é uma piada, eu estou falando bem sério.

Segundo ele, já que eu não prestava nem para segurar uma criança em meu ventre, eu deveria pelo menos tentar fazer com que meu corpo voltasse ao que era antes, já que infelizmente, eu perdi o meu bebê quando já estava com sete meses de gravidez.

Em um momento de fúria, coisa rara naquela época, já que eu não tinha forças para reagir, eu avancei no Lorenzo para tentar revidar o tapa que eu levei, e nesse momento, a sua amante me puxou pelos cabelos. Segundo ela, para defender o Lorenzo da minha agressão, porque eu estava descontrolada.

Os dois acionistas, Pasquale e Dante, entraram na sala no momento em que o Lorenzo apertava o meu pescoço. Ele aproveitou o fato da minha cabeça ter sido erguida com o puxão de cabelo que a Alessia me deu, e simplesmente tentou me sufocar, apertando aquela área com toda a sua força.

Eu sempre fui o tipo de pessoa que quando vê uma injustiça, instintivamente faz algo para corrigir, então confesso que foi bem difícil para mim ver aqueles homens vendo tudo aquilo sem fazer nada. Eles viam a cena como se estivessem assistindo a um ato em uma peça teatral, só faltou os aplausos no final.

Ao entrar no banco de trás do carro, onde Giuseppe dirige, eu me permito tirar os sapatos e me despir da pose de superior. A minha bolsa já está jogada ao meu lado no banco do carro, o meu corpo está bastante inclinado e a minha cabeça encostada no vidro da porta do lado direito.

Geralmente, eu e o Giuseppe conversamos muito durante os nossos trajetos, mas nesse momento, eu não tenho forças para falar uma única palavra que seja, como se toda a minha energia tivesse se esvaído.

Eu peço para que o Giuseppe me leve direto para a casa de Giulianna, minha melhor amiga e confidente. Ela sempre sabe o que dizer. Sem falar, que foi com a ajuda dela que eu consegui me livrar daquele casamento fracassado, e hoje estou aqui, com a minha armadura e pronta para a guerra.

+++

- Fique sabendo que você terá que pagar uma extensão de unhas para mim - é a primeira coisa que a Giu fala assim que abre a porta do seu apartamento. - Rui todas as minhas unhas por sua causa.

Eu começo a rir da maluca. Não sei o que a Giu tem, mas as minhas energias são recarregadas instantaneamente quando estou com ela.

- Por favor, me diz que você arrastou a cara da Alessia e do Lorenzo no asfalto - ela fala, me puxando para um abraço.

- Não cheguei a tanto, mas você está falando com a nova CEO da Fascino. E adivinha qual foi a minha primeira tomada de decisão?

- Demitiu a Barbie de Chernobyl? - ela pergunta indo até a cozinha com expectativa em seus olhos.

- Deve estar recolhendo os seus pertences da mesa nesse momento.

- AHHHH - o grito agudo me fez tapar os ouvidos - Vamos tomar o nosso champanhe favorito. Hoje nós podemos - ela fala erguendo a garrafa verde com o gargalo envolto em um papel alumínio dourado.

- Queria ter demitido o bastardo do Lorenzo também, mas infelizmente ele é um acionista com o maior número de ações, depois de mim, é claro.

- Qual a reação dele? Eu estou ansiosa para saber - ela se senta ao meu lado com duas taças nas mãos, me entregando uma.

- Por fora, a reação era fria, com aquele velho jeito Lorenzo de ser, mas tenho certeza de que eu consegui cutucar a ferida - eu tomo um gole do líquido transparente e borbulhante em minha taça, enquanto lembro de tudo que havia acontecido naquele dia. - Eu tirei dele o que ele mais amava, o poder dentro daquela empresa, e ainda sentei na cadeira dele de pernas cruzadas. Você precisava ver o olhar dele, o olhar da Barbie de Chernobyl e o olhar daqueles acionistas para mim quando eu me sentei naquela cadeira.

- Você tem noção de que agora o Lorenzo precisará acatar as suas decisões dentro daquela empresa? Ele não vai suportar - ela diz com um sorriso de satisfação.

- Eu tenho certeza de que ele vai tentar contra-atacar, mas ter convivido por tanto tempo com aquele traste me deixa um passo à frente, visto que eu o conheço muito bem. Eu conheço as suas fraquezas, e vou espetar aquele ego inflado dele.

- E quando ele te viu sem nenhuma gordurinha fora do lugar? - ela pergunta sorrindo e me arrancando uma gargalhada.

- Deve ter achado que eu fiz dietas e exercícios para aparecer magra na frente dele.

- Com todo aquele ego, eu acho bem capaz.

Eu não consigo segurar o riso ao lembrar do que eu fui capaz de fazer para que o Lorenzo aceitasse o divórcio. Eu só não, eu e a mente por trás de tudo, que está bem aqui na minha frente.

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