COMEMORAR

ELENA

- Por que você não parece tão feliz? - a Giu, que me conhece melhor do que qualquer pessoa, nota que há algo me incomodando.

- Eu estou feliz, estou muito feliz... Tudo saiu como eu planejei. Mas, tinha um babaca lá que me tirou do sério. E adivinha de quem estou falando?

Ela me fita negando com a cabeça, com os seus olhos em uma linha reta, deixando claro que não faz ideia, o que já era de se esperar.

- Bem difícil - ela entorta a boca. - Babacas era só o que tinha naquela reunião. O Lorenzo que é o babaca dos babacas, a Barbie de Chernobyl, os dois acionistas que te viram sendo agredida por aquela dupla de demônios, e não fizeram nada... De qual babaca estamos falando?

- Do irmão do Lorenzo.

- Irmão? Eu nem sabia que aquele idiota tinha irmão.

- Eu sabia, mas nunca tinha tido a oportunidade de conhecer. Ele morou fora por vários anos viajando o mundo. O Lorenzo sempre desdenhava dele, dizendo que o seu irmão era um reles fotógrafo.

- O maledetto do seu ex-marido, sempre sendo esnobe.

- Mas, pelo que eu pude conferir, o irmão dele tem dez por cento das ações da Fascino, tem restaurantes e ações em hotéis. E a melhor parte: demonstra um certo prazer em ver o Lorenzo contrariado.

Que merda! Eu estou sorrindo?

- Por acaso você fez uma pesquisa sobre o seu ex-cunhado?

- Só por curiosidade - desconverso.

- E ele é o babaca de que estamos falando? - ela pergunta, me analisando e impossibilitando que eu permaneça séria.

- Sim.

- E o babaca é bonito? Qual o nome dele?

- O seu nome é Matteo Médici, ele se nega a usar o sobrenome Marino, mas ainda não sei o porquê. Ele é lindo, incrivelmente lindo e tem um olhar que perfura até o mais íntimo da alma - falo sorrindo feito uma tonta, mas ao perceber que estou muito empolgada, trato de endurecer a expressão. - Mas o que tem de lindo, tem de babaca.

- Entendi - ela sorri.

- Nem vem. Cansei desses rostinhos bonitos que só servem para nos fazer sofrer. Sem falar que, eu não sei se você entendeu, mas ele é irmão do Lorenzo, e eu quero distância daquela família.

- Eu nem falei nada - ela sorri satisfeita por ter conseguido me pegar. - Por que está se explicando tanto, Elena?

- Só estou falando, antes que você comece a criar teorias infundadas na sua cabecinha fértil.

- Tá bom, mas me responde uma coisa: ele é bonito tipo o Lorenzo? Porque tudo bem que o seu ex-marido é uma pessoa detestável, e eu já não vejo mais beleza nele há muito tempo por tudo que ele representa, mas ele por fora é bem bonito. Não dá para negar.

- O Lorenzo? Ele coloca o Lorenzo no bolso. Nós estamos falando de um outro patamar de beleza.

Olha eu empolgada de novo.

- Mamma mia.

- O Lorenzo é todo engomadinho. Já ele, nem na reunião da Fascino estava de terno, muito menos de gravata. Ele tem um estilo mais aventureiro, sabe? O cabelo bem cortado, mas a barba estava para fazer. O que dava um ar de homem selvagem. O corpo dele só pode ter sido esculpido à mão. Te juro, dava para perceber os gominhos do abdômen dele pela camisa. Sem falar, que ele tem uma presença e um olhar que desconcerta.

- Uau - a Giu está visivelmente tirando sarro da minha cara. - Mas me conta, o que o babaca bonitão fez que te deixou tão estressada?

- Ele teve a audácia de insinuar que eu estava fazendo tudo aquilo para me vingar da traição do Lorenzo com a Barbie de Chernobyl.

- Só isso? - ela pergunta arqueando levemente uma das suas sobrancelhas.

- Ele disse que eu era muito bonita para deixar que a minha vida girasse em torno de um maledetto como o Lorenzo - replico indignada. - Um maledetto falando do outro. Como ele pôde tirar as suas próprias conclusões e me julgar, sendo que ele nem me conhece?

- Ele não faz ideia do que você passou nas mãos do Lorenzo e da Alessia, por isso te julga - a Giu fala trazendo a minha cabeça para repousar em seu ombro. - Se bem que, se ele chamou o Lorenzo de maledetto, é porque ele sabe das coisas. Eles não devem se dar muito bem, e isso já é um ponto a favor do Matteo.

- Tenho que concordar. Houve uma votação, a um tempo atrás, que elegeu o Lorenzo novamente o CEO da Fascino. Na época, ele e o Fabrízio Mancini tinham vinte e nove por cento das ações, por isso a votação, e adivinha de quem foi o único voto contra o Lorenzo?

- Do seu ex cunhadinho? - ela pergunta, e eu afirmo com a cabeça - Acho que eu gosto cada vez mais dele.

Após essa votação, o Fabrízio vendeu doze por cento das suas ações para o seu irmão, que comprou mais cinco por cento do Dante. O plano dos irmãos era passar para um só as ações, e conseguir a presidência da Fascino, mas o caos que eu ajudei a imprensa a causar com o nome da família Marino, os fez ficar com medo que o preço das ações despencassem. Isso, aliado ao fato de que a minha proposta foi tentadora, principalmente diante do cenário atual, fez com que eles não vissem uma alternativa melhor do que me vender a parte deles.

- Isso não elimina o fato dele me julgar sem me conhecer - falo virando o resto do champanhe que estava na taça, me levantando para ir embora.

- Amiga, nós temos que comemorar - a Giu me intima super empolgada. - Vamos ligar para a Chiara. Tenho certeza de que ela irá topar na hora.

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