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Somos longas histórias cobertas de pequenos detalhes.

SUZAN MATTIAZZO

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Fui em direção ao meu consultório e saí dos meus devaneios com o futuro pai dos meus filhos quando meu telefone tocou. Depois de confirmar ser dona Denise levei ao ouvido.

— Oi, mãe, sua benção! Como a senhora está e a nonna?

— Estou bem, a mama também e você? Como foi seu dia no hospital? — digo, que maravilhoso e faço um resumo do parto recém-feito — Nossa, que lindo.

— Foi incrível! Agora me conta, como está o pai?

— Todos bem, seu tio Ton está aqui, veio contar que Teodoro falou de uma mocinha chamada Carmelita, chamou a pobre de carne de pescoço, acho que deve ser magrinha, né, filha?

Gargalhei do apelido sabendo que meu primo é bem capaz de ter apelidado a mulher desse jeito por ser chata e um sorriso nostálgico me veio aos lábios.

— Teo está em Trento? — perguntei para saber se o verei na festa.

— Não, mas liga todos os dias, sabe como ele é com o pai, esse velho cabeça dura! — fiquei ouvindo os dois brigando até ela lembrar que estou na ligação — Filha, você vem, né?

— Amanhã cedo! Diz a nonna que chego pro café e quero meu bolo favorito! 

— Pode deixar, hoje a fornada rendeu, achamos que ia sobrar pra levar para a paróquia, só que Dimi vendeu tudo. Tem tanta criança lá que as freiras não estão dando conta.

— Tenho um cheque aqui, não sei o valor, mas vou dar ao padre, deve segurar as pontas lá por uns meses. Agora vou atrás do Ninho, quero saber se vamos juntos, assim espero ele sair do plantão.

— Ele vem esse ano? — disse que não sei — Será bom que venha, ano passado perdeu a festa.

— Vou procurar saber. — mudei meu rumo e fui para as escadas — Era só isso?

— Não, queria contar que a Valquíria e o Antoni não viram esse ano, fiquei tão triste, mas é a vida, o Lucien ainda sofre com a traição e ficaram de ir a Monza, por isso não virão.

— Fiquei sabendo. 

— Então… — sua voz saiu estranha —  ele é um homem encantador, e seria ótimo se vocês pudessem se conhecer melhor. Talvez até jantar juntos — sua voz que traz indícios de esperança me deixou desconfiada

Dou uma risadinha, conhecendo bem as tentativas sutis de minha mãe de encontrar um par romântico para mim.

— Mãe, você sabe que sou feliz sendo solteira e estou focando em minha carreira no momento. Mas agradeço seu interesse em minha vida amorosa. Quem sabe o futuro possa trazer algumas surpresas, não é mesmo? —, respondo com carinho, pensando em falar do Thomás quando eu chegar lá.

Conversamos mais um pouco e à medida que a ligação chega ao fim, confirmo que partirei para Trento após o término do plantão.  

— Te amo, se cuida. — finalizei e guardei o celular no bolso.

Voltei a procurar meu irmão, como comprei o presente dele, usarei isso para convencê-lo a ir esse ano.

No segundo andar fui direto ao consultório dele e não estava.

— Não sei para que Lorenzo lhe deu essa sala, ele nunca está aqui! 

Fui para os corredores e depois de muito procurar lá estava ele.

— Boa tarde! Meninas e doutor. 

— Vocês! Por favor, vão checar o quarto 56 — as quatro tentaram seguir, mas ele segurou uma com ele — Suh, você vai ao aniversário de casamento dos nossos pais esse ano? 

— Sim, vim fazer a mesma pergunta.

— Preciso de ajuda com o presente. — fiquei feliz de saber que estará com a gente. 

 — Já comprei, está lá em casa. — seu alívio e nítido e me lembrando que hoje ele tem o hábito de malhar com meu futuro marido e resolvi perguntar  — Esteve com o Thom essa manhã?

— Nem começa, sabe que ele não quer sair contigo! — odeio quando j**a isso na minha cara e para não ser rude decidi ir ver a Alicia.

Passei o dia fugindo do Lorenzo e quando a Alicia dormiu liguei para a Megah.

— Em que posso ajudar, doutora?

— Lorenzo já foi? — disse que não — Esse homem não vai para casa?

— Logo irá, geralmente vai depois das 21:00. Ele anda resolvendo problemas burocráticos, de outros hospitais, mas a Dra. Laura já me ligou algumas vezes.

— Imagino, por isso não quero um marido médico. — exclamei imaginando como minha amiga deve se sentir sozinha — Seja o que Deus quiser, ele está quase me pegando pelos cabelos e jogando lá fora, Meg. 

— Ele tem seus favoritos, doutora, ando falando da senhora dizendo que mora aqui no Meyer. — comunicou rindo — Se preocupa com vocês que vivem aqui trocando plantões, para ajudar seus pacientes, mas faz o mesmo se a esposa não o ameaçar.

— Ameaçar? Conta isso direito.

— Só um segundo, deixa eu sair do meio das enfermeiras. — escutei ela falando que ia compra café para alguém e não demorou a volar a linha — Não fala pra ninguém, mas ouvi ela berrando que faria greve de sexo! 

— Gente! Lorenzo tem cara de santo, jurava que os filhos deles eram adotados, já que conheço a Loura. — rindo comuniquei — Não acredito que nosso diretor-geral transa.

— Você é terrível! — começamos a rir — Bom, eu não te contei nada.

— Pode deixar! Obrigada Megah, sua linda. —  me despedi e fui passear pelos corredores.

Estava pelo segundo andar quando dei de cara com a Vega.

— Oi, você viu meu irmão por aí? 

Questionei para puxar assunto e disse o que já sabia, pois ouvi o chamado dele a minutos atrás. De modo a conhecê-la pensei em conversar um pouco. 

— Está fazendo o quê? — questionei.

— Indo para emergência, caso precise de mim, estarei por lá, e você?

— Entediada, ia pedir para meu irmão ir na rua comprar minha comida — declarei a verdade, Dionísio sempre vai se eu pedir — Ele reclama, mas sempre faz minhas vontades, acho que é essa coisa de irmão mais velho, você sabe como é?

— Não, sou filha única!

Ia perguntar como foi para ela ser filha única quando mais uma das mensagens da minha mãe apitou no meu celular. E grunhi com isso.

— Está tudo bem? — olhei para ela que traz um olhar curioso.

— Sim! Na verdade, estressada, minha mãe está me mandando mensagens dizendo que vai me apresentar para o irmão da Val. — declarei meu atual sofrimento em um tom estressado e ela começou a rir. Não queria falar disso e com fome propus: — Vamos ao refeitório.

— Deixe-me pegar minha bolsa no meu armário. 

Durante o caminho fiquei sabendo um pouco da sua vida e quando chegamos no refeitório estava disposta a pegar algo, mas quando em ofereceu sua comida aceitei. 

— Agora me fala de você, tem outro irmão sem ser o Dr. Mattiazzo?

— Não, somos só nós, mas tenho primos. — desandei a falar deles enquanto faço a refeição.

O assunto surgiu fácil e quando finalizei agradeci pela maravilhosa comida.

— Preciso conhecer sua mãe e dar um abraço nela, meu Deus, que comida gostosa.

— Ela vai adorar te conhecer. — declarou com entusiasmo. 

— Esse fim de semana não dá, exceto se vocês forem comigo para a vila Mattiazzo. — notei sua curiosidade.

— Vila? 

Contei sobre meu lugar favorito, até receber um chamado e tive que sair as pressas.

Durante  a madrugada realizei dois partos e perto das quatro da manhã o Dr. Fongaro falou que ficava ata minha substituta chegar. Que poderia ir para casa descansar. 

— Obrigada, Matheus. — dei um beijo em seu rosto sentindo o perfume dele — Fico te devendo uma.

— Vou cobrar. — joguei um beijo no ar para ele e pegou e colocou na boca.

Ele é lindo, gentil e ama crianças, mas é médico e isso não é o que desejo, quero ter alguém que me conte sobre outras coisas e não como fez uma excelente cirurgia durante o jantar. 

Fui em meu consultório e peguei minha bolsa, como deixei minha mala no carro segui direto para a Vila. 

Enquanto dirijo rumo a Trento, aproveito o tempo sozinha no carro para refletir sobre minha vida e os recentes acontecimentos. A paisagem pitoresca da estrada me acalma e permite que meus pensamentos fluam livremente.

— Ano que vem quero estar indo ao aniversário de casamento dos meus pais com o Thomás e se tudo der certo nosso primeiro filho a caminho. — sorri com minha imaginação fértil — Seria pedir demais ao destino que me desse essa honra?

Meus devaneios chocam com minha realidade e suspirei por todas as tentativas fracassadas de convidá-lo ao menos para me conhecer melhor e sei lá, estou errando em alguma coisa.

— Sei fazer aquele tipico jogo de sedução de mulher fatal, mas Thomas parece ser imune a mim. — trinquei os dentes — Quero viver o amor com ele caramba! Ter momentos lindo com nossos filhos.

Choraminguei pensativa. Lembro-me do lindo exemplo de casamento que meus pais construíram ao longo dos anos. Eles são um verdadeiro modelo de companheirismo e amor, e desejo isso para minha vida.

No entanto, enquanto sorrio com essas lembranças, também resmungo em voz alta para mim mesma, relembrando a insistência de minha mãe em querer juntar-me a Lucien. Com todo o respeito e amor que tenho por ela, sinto-me frustrada com suas tentativas constantes de interferir em minha vida amorosa.

— Temos o mesmo gênio, sou igual à dona Denise no quesito insistência e se a conheço bem, sei que falará sobre Lucien até meus ouvidos sagrarem e tenho que dizer quanto antes que gosto do Thomás e que será ele o pai dos meus filhos. — murmuro, deixando escapar um leve riso irônico — Será que ela não percebe que posso encontrar meu próprio caminho? 

Gargalhei tendo a certeza que é exatamente isso que ela pensa, já que estou com 37 anos e nessa idade muitas mulheres já se casaram e tiveram seus filhos. 

— Bom, se conheço bem a Valquiria, ela e minha mãe estão confabulando algo ou não me mandaria áudios no W******p daquele jeito e talvez eu deva tentar alguma coisa! — cantarolei com algo rondando minha mente — Se essa situação se prologar não terá jeito.

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