Capítulo 17: O Veneno da Patente (Ricardo)
O gabinete cheirava a couro caro, café frio e o odor metálico de um ódio que eu já não conseguia mais mascarar. Como Coronel da Polícia Militar, eu estava acostumado a mover o estado com um estalar de dedos. Tinha o comando, tinha a farda e tinha o medo dos meus subordinados. Mas de um mês eu não tinha o que era meu por direito.
Eu não tinha Ágata.
O cinzeiro de cristal na mesa de jacarandá transbordava. Amassei o quinto cigarro da manhã, sentindo a pulsação na têmpora direita como uma batida de martelo. Levantei-me e caminhei até a janela panorâmica do quartel, observando a cidade. Para qualquer outro, aquela era uma vista do Rio de Janeiro; para mim, era um tabuleiro onde uma de minhas peças havia sumido, e isso era inadmissível.
— Incompetentes — rosnei para o vidro, minha própria imagem refletida parecendo a de um animal enjaulado. — Um batalhão inteiro sob o meu comando. O serviço de inteligência na palma da minha mão. E ninguém consegue