Capítulo 18: O Som do Engatilha-mento (Miguel)
Trinta dias. Trinta vezes o sol nasceu sobre esse morro desde que Ágata cruzou o meu portão com os olhos cheios de vidro quebrado e a alma em frangalhos. No meu mundo, um mês pode ser uma eternidade ou o piscar de olhos de uma execução. Para ela, foi o tempo necessário para o roxo das costas sumir e ser substituído por algo que eu não via há muito tempo nesta casa: resistência.
Eu a observei mudar. A seda pérola que ela usou naquela primeira noite na varanda ficou guardada no fundo do armário, uma relíquia de uma vida que ela estava tentando enterrar. Agora, ela usava regatas escuras, calças táticas que eu mandei buscar e o cabelo preso em um rabo de cavalo firme. Ela não parecia mais uma boneca; parecia uma lâmina sendo forjada.
— De novo, Ágata. O cano da arma não é um acessório, é uma extensão do seu braço — eu disse, minha voz ecoando no porão que transformei em estande de tiro improvisado.
Ela estava suada. O cheiro doce de flores qu