Capítulo 16: O Peso da Proteção (Ágata)
O lençol de fios egípcios que Ricardo comprou para a nossa cobertura em Ipanema sempre me pareceu uma mortalha. Eram frios, impessoais e cheiravam a amaciante caro e a segredos sufocados. Mas aqui, deitada nesta cama que não é minha, em um quarto que cheira a madeira e ao perfume amadeirado e rústico de Miguel, o tecido de algodão simples contra a minha pele parece, pela primeira vez em anos, um abraço.
Fechei os olhos, mas a escuridão do quarto era uma tela onde o rosto de Miguel se projetava repetidamente. “Eu sou o vigia”, ele disse. Sua voz não foi uma ameaça, foi um veredito.
Rolei para o lado, sentindo o latejo suave nas minhas costas. As marcas que Ricardo deixou ainda estavam lá, mas a queimação do encontro na varanda era mais forte. Quando passei por Miguel no corredor, o calor que emanava do corpo dele era quase palpável. Eu queria ter parado. Queria ter encostado a mão naquele peito nu, apenas para ter certeza de que ele era feito de