Capítulo 15: Sombras e Sentinelas (Miguel)
O silêncio na minha casa nunca é absoluto. Eu ouço o estalar das vigas, o vento soprando nas frestas e o eco distante dos meus homens nos postos de vigia. Mas naquela noite, o barulho que me tirou do sono leve foi diferente. Foi um ruído sutil, o ranger de um degrau que só quem conhece cada centímetro desse chão consegue identificar.
Rolei para fora da cama, a mão buscando instintivamente a arma sobre o criado-mudo, mas parei antes de sacá-la. Não era um ataque. Eu sentiria se fosse. Era algo mais leve, quase etéreo. Joguei um lençol sobre os ombros e saí do quarto, sentindo o piso frio sob os pés descalços.
Desci as escadas para a cozinha, a garganta seca como o asfalto em dia de sol. Eu só queria um copo d’água para aplacar a combustão interna que não me deixava descansar desde que aquela mulher cruzou o meu portão. Mas, ao chegar ao pé da escada, notei um feixe de luz âmbar cortando o corredor. A luz da varanda estava acesa.
Fechei a mão e