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capítulo 5: encontro de Elionor

A noite caiu sobre a mansão Lisboa, trazendo consigo um silêncio que parecia observar cada movimento de Ellen. Após o jantar silencioso, onde Ana Til não parava de lançar olhares cobiçosos para o mobiliário antigo e para o avô Robert, Ellen subiu para o seu quarto.

Ela sentia o peso dos segredos daquela casa. Enquanto escovava os cabelos de castanho escuro diante do espelho, seus olhos azuis cristalinos pareciam brilhar com uma intensidade sobrenatural.

— *"Ela quer o que é seu, Ellen. Ela quer o seu trono, a sua herança e o seu sangue"*, sibilou a voz de **Runa** em sua mente.

— Cale-se — sussurrou Ellen para o próprio reflexo. — Ela é apenas uma prima invejosa. Nada mais.

Mas a loba não se convenceu. O faro de Ellen, agora mais aguçado do que nunca, captou algo estranho. Não era o cheiro de lavanda de Elionor, nem o perfume caro de Ana. Era um aroma rústico, de madeira e tempestade, que parecia emanar das próprias paredes. O cheiro de Roger.

Ao sair do quarto para buscar um copo de água, Ellen deu de cara com Ana no corredor escuro. A prima estava parada diante da porta do escritório do avô, como se estivesse tentando ouvir algo.

— Perdeu alguma coisa, Ana? — perguntou Ellen, a voz fria e cortante.

Ana deu um pulo, mas logo recuperou a postura arrogante.

— Só estava admirando a arquitetura, priminha. É uma pena que uma casa tão gloriosa esteja nas mãos de alguém tão... instável. Ouvi dizer que você teve um "apagão" de memória. Como pretende gerir os negócios da família se nem sabe quem é o seu próprio marido?

Ellen sentiu um rosnado subir pela garganta. A vontade de avançar sobre Ana era quase incontrolável.

— Minha memória pode estar falha, mas meu instinto nunca esteve tão vivo — rebateu Ellen, aproximando-se o suficiente para que Ana visse o brilho gélido em seus olhos. — A empresa Lisboa pertence à primogênita. E eu ainda estou aqui.

Ana recuou um passo, intimidada pela aura de poder que emanava de Ellen.

— Veremos até quando, Ellen. O mundo gira, e o sangue puro nem sempre garante a vitória.

Ellen desceu para a cozinha, onde encontrou Elionor preparando um chá. A senhora olhou para ela com uma sabedoria que ultrapassava os anos.

— Ela tem o veneno da serpente, minha menina — disse Nonô, sem precisar que Ellen explicasse nada. — Mas você tem o espírito da Lua. Não deixe que as provocações dela obscureçam a sua visão.

— Ela falou do meu marido, Nonô. Ela parece saber mais sobre ele do que eu — desabafou Ellen, aceitando a xícara quente.

Elionor tocou a mão de Ellen, e por um breve momento, Ellen sentiu uma conexão profunda, como se a senhora também fizesse parte daquele mundo de lobos e mistérios.

— O tempo das revelações está chegando. A Lua Cheia não perdoa segredos. Descanse, Ellen. Você precisará de toda a sua força quando o Solari e o Verto decidirem que é hora de parar de se esconder nas sombras.

Ellen subiu de volta, sentindo o coração acelerado. Ela não sabia quem eram Solari ou Verto, mas o nome de seu marido, Roger, ecoava em sua mente junto com o batimento da loba. A tempestade não estava chegando; ela já estava dentro de casa.

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