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capítulo 6: De repente uma lembrança

Ellen sentiu o mundo girar sob seus pés no instante em que as palavras de Bruno atingiram seus ouvidos. O celular escorregou de suas mãos, sendo engolido pelo tapete, mas a frase *"licença-maternidade"* continuava a chicotear sua mente como uma lâmina incandescente. Aquela revelação abriu uma ferida invisível e profunda em sua consciência fragmentada. Ela correu até a cômoda, as mãos trêmulas buscando desesperadamente por algo que aliviasse aquela pressão esmagadora no peito — uma angústia física que ela não conseguia explicar, mas que a fazia sufocar.

Dentro dela, a loba **Runa** uivou em uma nota de desespero absoluto. Não era um pensamento articulado, era um instinto de perda brutal; um vazio nos braços que a impedia de respirar. Ellen tentou levar o comprimido à boca, mas a escuridão foi mais rápida. Suas pernas falharam e ela desabou no chão frio do quarto, mergulhando em um abismo de sombras onde o único som era o eco de um choro que sua memória, danificada pelo suposto acidente, não conseguia localizar.

Roger tinha acabado de cruzar os portões da mansão quando o vínculo de alma estalou violentamente. Foi como se um cabo de aço se rompesse dentro de seu peito, enviando uma descarga elétrica por todo o seu corpo. Instantaneamente, o lobo **Verto** assumiu o controle de seus sentidos; sua visão tornou-se aguçada e o cheiro de lavanda misturado ao medo metálico de Ellen inundou seu olfato.

Ele invadiu a mansão como um vendaval, subindo as escadas em saltos duplos, ignorando Elionor que vinha da cozinha gritando seu nome. No corredor, a porta de Ana Til se abriu por uma fresta, mas ela recuou imediatamente ao ver o brilho predatório nos olhos do Alfa. Roger estava tão confuso quanto Ellen; ele também tentava reconstruir sua vida após o acidente, guiado apenas pelas instruções que o velho Robert lhe dava, sem suspeitar que cada uma de suas certezas era uma peça em um jogo de xadrez maior.

Roger arrombou a porta do quarto com um impacto seco. O estalo da madeira ecoou pelo corredor silencioso.

— Ellen! — o grito dele saiu rouco, carregado pela urgência selvagem de seu lobo.

Roger viu o celular caído e o frasco de remédios espalhado. Ellen estava estirada perto do pé da cama, pálida e imóvel, com uma das mãos ainda fechada, como se tentasse agarrar a própria vida.

Roger correu ao encontro dela, tomando-a nos braços com uma delicadeza que contrastava com sua força bruta. O calor de seu corpo chocou-se contra a pele gélida de Ellen. Seus dedos buscaram o pulso dela; os batimentos eram fracos e erráticos. Uma onda de fúria negra percorreu o Alfa. Embora ele não lembrasse de todos os detalhes da vida deles antes do desastre na estrada, ver sua companheira sofrendo daquela forma fazia seu sangue ferver.

De repente, o corpo de Ellen tensionou-se. Mesmo desacordada, ela começou a se bater contra o peito de Roger, as unhas cravando-se nos braços dele em um pesadelo vívido.

— Não o levem de mim! — ela gritou, uma voz rasgada pela dor de quem acaba de reencontrar uma perda terrível. — Não tirem ele de mim!

O grito cessou tão subitamente quanto começara. Ellen relaxou nos braços de Roger, ficando pesada, enquanto uma lágrima solitária escorria por seu rosto. Roger a apertou contra o peito, os dentes cerrados, sentindo a dor dela vibrar através do vínculo que os unia.

Roger não sabia o que haviam perdido. Ele acreditava, sob a orientação do avô dela, que o acidente fora o único culpado por aquele vazio. Mas, naquele momento, **Verto** rosnou uma promessa sombria nas profundezas de sua alma.

— Se alguém causou isso a você... se essa dor não foi apenas obra do acaso, eu juro que eles vão pagar — Roger sussurrou contra os cabelos dela. — Quando a verdade aparecer e eu descobrir quem te fez sofrer assim, não haverá lugar na terra onde possam se esconder de mim.

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