Ruby
Eu comecei a perceber antes mesmo de querer admitir.
Andrew sempre foi intenso. Trabalhou demais a vida inteira, dormiu pouco, carregou responsabilidades grandes demais para um homem só. Mas o que eu via agora não era apenas cansaço. Era algo diferente. Algo que não combinava com ele.
Ele chegava em casa no fim da tarde com os ombros caídos, o rosto pálido demais, os olhos fundos. Ainda sorria para mim, ainda me beijava a testa, ainda perguntava como eu estava. Mas era um sorriso que parecia colado à força, como se ele precisasse se lembrar de sorrir.
— Eu estou bem, amor. — repetiu pela terceira vez naquela semana, quando perguntei. — Só dormi pouco e trabalhei demais.
Eu assenti, mesmo sem acreditar.
Naquele dia, durante o jantar, percebi que ele mal tocou na comida. Empurrou o prato devagar, bebeu água demais, respirou fundo algumas vezes como se o ar não fosse suficiente.
— Andrew… — falei com cuidado. — Você quase não comeu.
— Não estou com fome. — respondeu rápido demais.
—