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CAPÍTULO 2 FRAGILIDADE PERIGOSA

Enquanto Ethan se afogava na autocompaixão, Margaret se jogou no sofá da sala, o eco da discussão com Ethan ressoando na mente como um tambor implacável. Horas atrás ela tinha perdido a cabeça, e agora o remorso a consumia.

— Meu Deus! O que eu fiz? Eu devia ter me controlado. Eu sou a adulta; além do mais, deveria oferecer consolo e não palavras cortantes. Eu sei que a atitude dele vem de alguma coisa, ele é muito novo pra estar tão cheio de raiva. Amanhã eu falo com ele. Por enquanto, o único que posso fazer é tomar um banho.

Naquela noite o sono não foi gentil. O rosto de Ethan, tão frágil e ao mesmo tempo quebrado, a perseguia em cada canto da mente. Aqueles olhos escuros, profundos como poços sem fundo, gritavam uma dor que ela não conseguia decifrar.

Ao amanhecer, Margaret buscou consolo no jardim. Os girassóis, um presente do pai pelo aniversário, se erguiam radiantes sob o sol nascente. Acariciou as pétalas com ternura, sussurrando:

— Que vocês tenham um dia tão lindo quanto o que eu planejo ter.

Depois de regá-los, voltou para o quarto. A água morna do chuveiro esclareceu os pensamentos, e um café da manhã simples devolveu um pouco de calma. Se arrumou com cuidado, escolhendo um vestido que abraçava as curvas com suavidade. Tomou café, se arrumou de novo e, ao abrir a porta de casa… se deparou com ele.

— Eu sei que esse buquê de rosas não é suficiente pra conseguir o seu perdão — disse Ethan, escondendo metade do rosto atrás das flores.

— O que você tá fazendo aqui?! — exclamou ela, surpresa —. Como conseguiu meu endereço?

— Não foi difícil… — respondeu evasivo, mas emudeceu ao vê-la. O vestido abraçava as curvas com delicadeza, o decote justo insinuava mais do que devia, e na mente dele a imagem se transformou: ela, rendida em seus braços, gemendo o nome dele com a voz trêmula.

— Ethan? — a voz dela o tirou de súbito do devaneio —. Você tá bem? Se perdeu por um instante.

— Desculpa — suspirou, baixando o olhar —. Não consegui evitar. Me perdi na sua beleza… nos seus olhos.

— Chega de elogios — replicou ela, contendo um rubor involuntário —. O que você quer com essas rosas?

— Estou aqui em son de paz. Reconheço que me comportei como um patife, e sei que a única coisa que a senhora busca é nos ajudar. Aceite como amostra de arrependimento.

— São lindas — admitiu, aceitando-as —, mas vai ser a primeira e a última vez que eu recebo um presente seu. Não é correto.

— Eu dou minha palavra. Não tenho outra intenção.

Margaret o olhou com seriedade e depois suspirou.

— Tá… eu também quero me desculpar. Não devia ter gritado com você nem muito menos te batido. Que tal a gente começar do zero? — estendeu a mão.

— Vai ser um prazer — respondeu Ethan, apertando-a com força. O contato da pele quente dela acendeu o coração dele —. Deixa meu motorista te levar.

— Esquece. Não quero mal-entendidos. De qualquer forma, admiro sua coragem de vir até aqui. E escuta isso: se um dia você precisar falar de qualquer coisa, eu vou estar aqui pra você — disse, acariciando o cabelo dele com suavidade —. Agora preciso ir pra escola senão vou chegar atrasada.

— A gente se vê na sessão de hoje? — perguntou com esperança.

— Claro, espero te ver lá — respondeu, dedicando-lhe um olhar carregado de ternura antes de fechar a porta.

Ethan ficou imóvel diante da porta, apertando o buquê vazio contra o peito. O coração batia forte, não de vergonha, mas por aquela mistura perigosa de desejo e admiração que queimava as veias.

Enquanto descia os degraus da entrada, os pensamentos o devoravam: Ela acariciou meu cabelo… como se realmente se importasse. Não posso deixar que ela me veja como um simples menino rebelde. Tenho que mostrar que sou mais do que isso.

Por sua vez, Margaret, ainda com o aroma das rosas impregnado no ar, apoiou as costas na porta fechada e soltou um suspiro trêmulo.

— O que eu tô fazendo?

Se obrigou a se endireitar, lembrando que era a adulta, a guia, a psicóloga… não uma mulher vulnerável diante do magnetismo de um jovem.

As aulas na escola secundária passaram com uma calma que Margaret agradeceu. Os alunos se mostravam atentos, e ela se esforçava pra se concentrar plenamente neles, como se dessa forma pudesse silenciar os pensamentos que a perseguiam desde a manhã. Cada vez que lembrava o olhar de Ethan na porta dela, um arrepio percorria a pele, embora tentasse disfarçar.

Ao terminar a jornada, pegou as coisas e se dirigiu ao centro de ajuda. Era um lugar que sempre lhe transmitia paz, um espaço onde podia focar as energias em acompanhar os jovens que carregavam suas próprias batalhas. No entanto, aquele dia foi diferente.

Mal entrou no salão e o viu, o ar pareceu ficar mais denso. Ethan estava sentado no canto, com os braços cruzados e aquela expressão enigmática que nunca deixava ler com clareza. Mas o que mais a alterou foram os olhos dele: não a soltavam.

Margaret tentou manter a compostura, mas sentiu a pele arrepiar sob aquele escrutínio. Ele não piscava, não desviava o olhar, como se cada movimento dela o hipnotizasse. A olhava com tal intensidade que ela mal conseguiu sustentar o olhar por alguns segundos antes de desviar os olhos para as anotações.

— Bem, pessoal… hoje vamos falar da importância de reconhecer e expressar nossas emoções — anunciou com voz firme.

Enquanto guiava a dinâmica, se obrigava a ignorar o óbvio: a forma como Ethan a seguia com os olhos, como se quisesse arrancar a roupa dela com o olhar. Era uma mistura de desejo feroz e desafio que a incomodava e, ao mesmo tempo, a estremecia de uma maneira perigosa.

Num momento, quando passou perto dele pra distribuir umas folhas, pôde sentir o calor da respiração dele. Não disse nada, mas os lábios dele esboçaram um leve sorriso carregado de algo que ela não soube decifrar. Margaret se apressou a se afastar, cravando os olhos no restante dos alunos.

— Se concentra. Você não pode permitir isso — pensou consigo mesma.

Mas cada vez que levantava o olhar, lá estava Ethan, devorando-a em silêncio.

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