“Há lugares onde o poder não entra primeiro.
Quem entra é o cuidado.”
Damian entrou no quarto com a atenção silenciosa de quem sabe que certos espaços não se dominam, apenas se respeitam, e não havia ali qualquer receio ou insegurança, mas uma consciência rara de que aquele território não funcionava pelas regras que ele passou a vida inteira impondo.
O ambiente estava longe de tudo o que ele conhecia como poder: não havia mesas longas, telas luminosas ou contratos invisíveis pairando no ar, apenas o cheiro suave das flores recém-colocadas, desenhos infantis colados na parede com fita colorida, um ursinho grande demais para aquela cama e uma menina de olhos atentos que o observava com a seriedade de quem decide, em silêncio, se alguém merece ou não atravessar aquela porta.
Sophia foi a primeira a falar, sem cerimônia, sem medo e sem qualquer intenção de suavizar a verdade.
— Você demorou.
A constatação não carregava mágoa nem cobrança, apenas a naturalidade de quem diz algo óbvio dema