“Alguns gestos não pedem resposta. Eles apenas permanecem.”
Elena Rossi
Os lírios tinham perfume demais para um quarto de hospital.
Os lírios exalavam uma fragrância suave e bela, presente o bastante para preencher o quarto e persistir ali mesmo quando a porta se fechava.
Elena apoiou o queixo na borda da cama de Sofia e ficou observando as pétalas brancas por tempo demais. Aqueles lírios não eram flores de cortesia nem de protocolo, não tinham sido enviados por obrigação.
Eram um gesto. E gestos, quando vêm de certos homens, dizem muito mais do que palavras.
O cartão continuava dentro do envelope, dobrado e quieto. Elena tinha lido apenas uma vez e rápido demais, como quem comete um pequeno erro e tenta corrigi-lo antes que deixe marcas. Mas o corpo tinha memória própria, e essa parte ela nunca soube controlar.
Sofia estava abraçada ao ursinho Mel e o tórax subia devagar. Ela não dormia, apenas apreciava o carinho da irmã, que acariciava seu rostinho delicado. Elena ajeitou o coberto