“Há pessoas que entram devagar, mas mudam o lugar para sempre.”
Elena foi pega de surpresa, mas reagiu no instinto, segurando a irmã com cuidado, como se aquele abraço fosse algo que pudesse se quebrar se respirasse errado.
— Ei… — murmurou, acariciando a cabeça protegida pela touca de unicórnio que ela usava. — O que foi isso, Sophi?
Sophia fez biquinho. Um biquinho sério, determinado, daqueles que não pedem permissão para existir.
A médica piscou duas vezes, confusa.
— Não… não quer ir para casa? — repetiu, procurando apoio no rosto dos adultos. — Mas normalmente as crianças ficam felizes com isso…
Damian permaneceu onde estava.
Não interveio, apenas observou.
Havia algo naquele gesto, o abraço apertado, a recusa espontânea, que despertava nele mais curiosidade do que qualquer relatório clínico.
Elena se afastou um pouco, apenas para poder olhar nos olhos verdes da irmã e com delicadeza, tocou o rosto dela e perguntou:
— Não quer ir para casa comigo, Sophi… por quê?
Sophia levantou