“Quando o cuidado é real, ele não pede permissão para virar poder.”
— A polícia foi acionada e não fez nada?
— Nem um aviso. Achei um absurdo, mas enfim… — Beatrice suspirou como quem já estava acostumada com a incompetência do mundo. — Só te liguei porque não vou conseguir ir hoje. Tenho dois compromissos e, se eu não for, perco metade da agenda de março. Você vai passar lá depois?
Damian olhou para o relógio, não para medir o tempo, mas para organizar a própria reação. Esse era o tipo de pergunta que não se responde com emoção.
— Vou ver.
— Isso é o mais perto que você chega de dizer “sim”, então vou aceitar. — riu. — Tchau, Damian.
Ela desligou antes que ele pudesse responder. Beatrice sempre soube que Damian nunca fazia nada sob pressão.
Três segundos depois, o dedo dele já estava ligando para Alessandro. Não houve reflexão. Houve decisão.
O advogado atendeu na primeira vibração.
— Bom dia, Damian, a reuniã…
— Compre o restaurante ao lado do San Michele di Firenze. — interrompeu,