“Nem todo poder destrói. Alguns curam.”
Elena Rossi
Alessandro chegou quinze minutos depois da ligação terminar.
O ronco do motor cortou o silêncio do pátio e se espalhou pela frente da mansão antes mesmo do carro parar diante da escadaria.
Beatrice saiu primeiro, empurrando a porta com a pressa habitual. O conjunto de saia e blusa, leve e elegante, balançou contra as coxas quando ela desceu os dois primeiros degraus. A luz dourada do fim da tarde realçou o sorriso grande no rosto dela. Quem visse não imaginaria por um segundo sequer que tínhamos passado a manhã inteira juntas.
— Elena… — ela disse, e só a forma como respirou já denunciava a euforia — você não tem ideia.
Eu mal tive tempo de perguntar “ideia do quê”, porque ela já me puxava pelo pulso, como quem tem pressa de contar algo antes que a vida atrapalhe.
Alessandro desceu logo depois, fechando a porta do carro com a calma de quem sabe que o mundo se move mais rápido do que deveria e que a única maneira de sobreviver a isso