“O mais perigoso não foi o que aconteceu, mas o que ficou faltando.”
Elena Rossi
Só quando ouvi o som da porta se fechando, anunciando que Damian já estava longe, meu corpo decidiu se mover.
Joguei o lençol em volta de mim, improvisando nele uma dignidade temporária, e saltei da cama com um impulso que não combinava com a sofisticação do quarto. Corri até a porta e a fechei depressa, como se o mundo lá fora pudesse invadir o pós-acontecimento sem bater.
O som da chave trancando a porta fez com que eu conseguisse finalmente soltar o ar que estava preso nos meus pulmões. Fiquei parada ali por um instante, com as costas encostadas na porta, e o lençol agarrado ao corpo como se uma pequena parte da minha vergonha fosse cair no chão se eu relaxasse os dedos.
Respirei fundo.
Por breves segundos fiquei sem pensar em absolutamente nada, mas o meu cérebro parecia disposto a brincar comigo e logo um pensamento surgiu em minha mente.
O que foi que eu fiz?
O impulso de andar surgiu antes mesmo q