Era noite quando o primeiro Espelho-Fenda explodiu.
Não por impacto, nem por vandalismo — mas por sobrecarga. O vidro não aguentou conter tantas versões alternativas, tantas possibilidades em colisão. Ele estilhaçou-se em silêncio, e das lascas surgiram vozes. Ecos de vidas não vividas. Gritos de existências abortadas. O mundo estava se partindo de dentro.
Na sede da Ordem da Lembrança, o alerta foi imediato.
— Porto 7, distrito de Salvador — disse Ezra, ofegante. — O espelho explodiu, e duas e