Jogo do amor: Uma babá quase perfeita
Jogo do amor: Uma babá quase perfeita
Por: Érica Christieh
Capítulo 1

Gustavo Henri  

  

Eu havia esquecido minhas chuteiras da sorte em casa e já estava alguns quilômetros longe, quando fiz o retorno. Eu não estava disposto a jogar aquela noite sem o meu amuleto da sorte e embora eu soubesse que chegaria ao treino atrasado, voltei para casa.    

Quando estacionei o carro avistei um veículo estranho na porta da minha mansão. Me questionei se a Bruna, minha esposa, estaria recebendo visitas. Bem provável que não. Ainda assim não dei muita importância. Subi as escadas rapidamente, enquanto ouvia risos, vindo da suíte, e quando abri a porta, me deparei com os olhos de Bruna arregalados, como se tivesse visto um fantasma.  

Ela pulou da cama, puxando os lençóis e cobrindo sua nudez, enquanto Donovan se erguia, ficando frente a frente comigo.   

— Gustavo – a voz dela estava tremula – o que você está fazendo aqui?  

Cerrei os punhos, mas não tentei acalmar meus nervos. As coisas ficaram ainda pior quando vi minha filha dormindo tranquilamente, no mesmo quarto que a minha mulher me traia.  

— E então é isso que você anda fazendo enquanto eu saio para trabalhar? – eu percebi o quanto ela ficou assustada com a minha última palavra, quando começou a caminhar na minha direção, eu avancei em Donovan.  

Bruna tentou me impedir, Donovan levantou os braços e gaguejou alguma coisa a qual eu não dei importância, quando percebi já havia batido no rosto dele e a cena daquela bunda branca caindo no chão foi a única coisa que eu jamais me esqueceria.  

— Eu posso explicar – agora Bruna chorava e tentava a todo custo me segurar – eu juro por Deus, Gustavo, essa é a primeira vez que aconteceu.   

— Como se uma vez já não bastasse – eu estremeci com o pensamento de que ela estava mentindo – você não tem respeito nem mesmo pela nossa filha recém-nascida.   

— Me perdoa – o choro dela se intensificou, mas as suas lagrimas me causavam nojo.  

Eu não a respondi, caminhei até o closet avistando minhas chuteiras, enquanto Bruna corria desesperada atrás de mim. Ela gesticulava com a voz embargada, mas eu fingia que não escutava. O único som que eu ouvia era as batidas frenéticas do meu coração e minha respiração pesada, a qual eu já não conseguia controlar.   

Eu precisava sair dali imediatamente, antes que eu cometesse uma loucura. Quando sai do closet, me deparei com Donovan, agora de pé e vestido, parado na minha frente. Eu acertei precisamente o rosto dele e o sangue escorrendo do seu rosto me encheu de satisfação.  

— Vamos conversar, Gustavo – ele dizia, com uma expressão assustada.  

— Saia da minha casa imediatamente – eu o segurei pelo colarinho da velha camisa e o arrastei para fora do meu quarto – eu não tenho mais nada para conversar com você. Está demitido.  

— Demitido? – ele vinha correndo atrás de mim enquanto eu descia as escadas – e quem vai cuidar da sua carreira de jogador de futebol?  

— Eu contrato outro – a cada palavra meus passos ficavam mais intensos. Se eu ficasse só mais um minuto ali, eu acabaria com a vida daquele homem – há dezenas de outros empresários nessa cidade loucos para trabalhar para mim.  

Eu assenti. Donovan sabia de tudo. Ele sabia que eu não estaria em casa naquele dia porque havia um jogo importante. Tinha em mãos toda a minha rotina. Frequentava a minha casa como um amigo, era o meu empresário, o homem que cuidava da minha carreira, e embora fosse um homem mais velho e casado, eu jamais imaginei que ele me trairia dessa forma.   

A dor dilacerava meu coração. Olhei para a Bruna pela última vez antes de entrar no carro e dizer a ela.  

— Quando eu voltar, não quero mais vê-la na minha casa – ela avançou para cima do carro – arrume suas coisas e vá imediatamente embora daqui.  

— Por favor, Gustavo, vamos conversar – eu fechei o vidro do carro e liguei o motor saindo em disparada dali.  

Não olhei pelo retrovisor, não suportaria ver a minha história ficando para trás. Eu engoli em seco, enquanto um nó se formava na minha garganta. Uma lagrima escorreu pelos meus olhos, mas eu a limpei e impedi que outra fosse derramada. Eu amava aquela mulher e jurei que ao seu lado eu formaria uma família.   

Agora nada mais importava. Acelerei o veículo e gritei. Coloquei para fora toda a minha dor e angústia e prometi que partir daquele momento eu seria fiel apenas ao meu trabalho.  

Certamente fiquei cego pelo ódio. Eu já estava em frente ao centro de treinamento, quando me dei conta que o portão estava aberto. Eu estava pronto para entrar quando o meu carro se chocou com alguma coisa. O barulho estrondoso da frenagem do carro, me assustou e lançou meu corpo para frente. Fiquei tonto e sem entender o que havia acontecido.   

Quando desci do veículo, vi uma mulher de joelhos no chão. Eu mal conseguia ver o seu rosto. Ela se levantou com dificuldade enquanto a raiva me consumia. Olhei no relógio e eu estava meia hora atrasado. Caminhei em direção a ela e agarrei o seu braço sem nenhuma cerimônia.  

— Você não olha por onde anda? – ela tirou os fios de cabelo do rosto e olhou para mim, enquanto um gemido de dor escapulia pelos seus lábios.  

— O quê? – eu a soltei em um acesso de raiva, enquanto a garota olhava, com os olhos arregalados para mim.  

— Não tenho tempo para isso – caminhei de volta para o veículo pronto para sair dali – saia da minha frente imediatamente.    

Eu não me importei se ela estava ferida ou se eu podia tê-la matado. Eu tentava escapar da confusão da minha vida e não queria me envolver em outra.  

— Não tem tempo? – Ela caminhou mancando na minha direção segurando na porta do carro – você me atropela e depois diz que não tem tempo?   

Eu olhei nos olhos furiosos dela. Eles tinham um brilho inigualável e a voz dela, embora a alterada soasse doce aos meus ouvidos, eu a ignorei completamente.  

— Olha, menina, estou tendo um dia bem ruim hoje. Eu agradeceria se você não piorasse as coisas.  

— Ele teve um dia ruim! – um sorriso debochado surgiu em seus lábios – e quem paga por isso sou eu?  

Franzi a testa com o modo irônico como ela agia comigo. Abaixei o olhar e vi o joelho dela sangrando. Peguei a carteira no banco do passageiro e retirei algumas notas de dentro.  

— Você quer dinheiro para o táxi? - segurando as notas, estiquei o braço, jogando o dinheiro no rosto dela – está aqui. Pegue-o e desapareça da minha frente.  

Eu entrei no carro, observando-a olhar para o dinheiro no chão, com uma expressão de horror no rosto. Liguei o veículo e sai dali. Quando entrei no centro de treinamento, olhei pelo retrovisor. A garota parecia paralisada. Continuava no mesmo lugar. Mas eu não tinha mais tempo para sentir culpa por aquilo, sai do veículo e fingi que nada havia acontecido.   

  

  

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