Um presente inesperado!

No dia seguinte à reconciliação de Ana e Josephine, ela acorda cedo e vai tomar café com a sua amiga. Suzi fez um café para as duas, bem forte e carregado. Ela quer conversar com a amiga sobre o que aconteceu na noite anterior; claro que Suzi a quer ouvir. Ana entra na cozinha e senta na cadeira. Ela pega uma caneca e a enche de café. Suzi apenas olha para ela e não fala nada, mas Ana acha estranho e pergunta o que ela tem.

— Suzi, bom dia. O que você tem? Não quer saber o que passou ontem com a vampira?

Suzi olha para ela debaixo, bebendo o seu café. Ela não sabe se Ana brinca ou não, e apenas balança a cabeça que sim.

— Senta, Suzi, vamos, vou te contar.

Suzi pergunta se ela tem certeza de querer contar, porque ontem ela foi muito ignorante e não quer ficar sem graça novamente. Ana lhe pede desculpas.

— Amiga, desculpa. Ontem eu não estava bem e, com o que aconteceu com Josephine, eu não estava legal!

Suzi diz que a entende, que isso lhe passa às vezes com um cara que ela gosta também.

— Como assim? De quem você gosta, me fala!

Ana vibra eufórica; ela quer saber se a amiga está com alguém, pois não contou nada e ela está curiosa.

— Não tenho alguém, mas te conto o que me acontece. Sim, vou falar, mas primeiro, amiga, vai, quero saber tudo o que rolou ontem.

 Então Ana respira fundo e começa a falar.

— Olha, não quero que ria de mim, quero que tenha a mente aberta, ok?

Suzi diz que sim e que tem a mente mais aberta que todo o mundo, e que pode confiar que ela ouvirá calada e séria. Ana agradece e começa a contar o que houve no reencontro com Josephine.

— Amiga, liguei o dia inteiro ontem procurando Josephine, mas ela queria fugir de mim pelo que eu disse a ela na noite do encontro, e eu entendo. Fui estúpida e preconceituosa.

— Também temia perder o meu emprego, mas deveria ter contado a ela de forma educada e não grosseira, e me sinto tão mal por isso!

Suzi balança a cabeça em concordância com ela e diz que o problema foi o fato de ela ter dado em cima de Ana, o que a tirou do sério. Ana balança a cabeça que sim e continua.

— Bem, isso, mas eu vi um lado dela ontem que jamais tinha visto em alguém. Ela me deu soluções para poder sair com ela sem que as pessoas notassem que estávamos nos encontrando.

Ana suspira.

— Eu levei pelo lado de que ela era pervertida; jamais pensei em sair com uma mulher para encontros, para mim era absurdo, mas ela disse que gosta de mim e quer uma chance de me conquistar.

— Claro que para mim é absurdo, e eu disse a ela que não tem condições de me apaixonar por uma mulher, ainda mais vampira, mas ela quer tentar me conquistar e olha só o que ela me deu!

Ana corre para pegar o livro e mostrar para Suzi; ela quer saber o que significa tudo isso que acontece com ela, precisa de uma visão de fora para ajudá-la.

— Olha, Suzi, ela me deu um manuscrito antigo do Drácula de Bram Stoker. Eu amo este livro e ela tem o mais antigo. E mais, no dia em que fui à casa dela, estava com ele em minhas mãos.

Suzi arregala os olhos, encantada.

— Ela disse que lembrou que eu gostava e o separou para me dar.

Suzi fica encantada com Josephine. Ela pega o livro e olha todo ele por fora, está intrigada e sorri. Ela treme e deixa o livro cair na mesa. As páginas se abrem, um cartão cai. Suzi pega e entrega para Ana, que olha para o cartão e diz não saber que ali estava.

— Amiga, você não vai abrir? Acho que é para você!

Ana diz que não, mas pensa que, antes, quando o folheava, não tinha bilhetes; este cartão também parece novo! Ela resolve abrir, encontra dentro do envelope um cartão escrito com letra de pluma, em tinta vermelha, que diz as seguintes palavras:

" - Querida Ana, percebi no dia em que vieste fazer a entrevista comigo que gostaste deste livro. Percebi que histórias de amor como a do Drácula com a Mina te chamam atenção e pode ter certeza de que a mim também! Ganhei este manuscrito do próprio autor dessa história e já o li inúmeras vezes. Como você gostou dele, quero que fique. Pensei em te presentear hoje, em nosso primeiro encontro, para você ver o quanto significa para mim que tenha vindo hoje. Jamais esperei que fosse um dia entregá-lo para alguém tão distinto a mim, mas que bom que este alguém é você! Com meus sinceros sentimentos a você! - Docemente, Josephine Rosetown."

Ana lê o bilhete e se sente pior do que antes, pois ela o escreveu e ia dar-lhe este livro no dia do encontro, o dia em que Ana pisou em seus sentimentos. Suzi pergunta por que Ana está com um olhar triste, então ela pega o bilhete e mostra a Suzi, que o lê e olha para Ana, incrédula e boba.

— Ana, essa vampira está apaixonada por você? É isso mesmo?

Ana balança a cabeça, confirmando. Ela não sabe o que fazer, pois não sente o mesmo por Josephine e não a quer magoar. Ela pede conselhos a Suzi sobre o que fazer, e Suzi lhe pergunta se ela ama alguém, ou se sente algo por alguém. Ela diz que não; após a desilusão com o sereio, ela não teve mais nada com ninguém, nem saídas afins, nada!

— Amiga, se não tem ninguém, não ama ninguém, por que não? Só porque ela é do sexo feminino? Você a acha bonita? Já se perguntou se sente algo por ela?

— Ana, pensa se passou algo assim. Ela diz que uma vez uma menina a beijou na escola, mas ela era muito nova e não sabe o que sentiu. Mas a garota era bonita, sim, e ela nunca achou mulheres feias, ao contrário, mas, daí a namorar uma, ela nem saberia como é isso! Então, Suzi diz a ela que deve fazer, pelo menos para se distrair, mas sempre lembrando a ela que não vai rolar nada e que não gosta de mulher. Pelo menos vai ter alguém mais para conversar e, se for o caso, podem ser amigas.

— É mesmo, Suzi, obrigada por me ajudar. Pode ser isso também; agora que conversei com ela, pode ser que sejamos amigas mesmo. Nunca me vi com uma mulher.

Ana continua.

— Agora me fala de você: quem é o dono do coração de minha amiga linda, hein? Conta para Ana!

Suzi olha para ela e um sorriso largo aparece em seu rosto. As duas bebem o café e comem frutas com cereal, estão sorrindo e felizes, quando Suzi solta a bomba!

— Eu gosto do Jake!

Ana engasga com o café no mesmo momento em que ela fala o nome do seu chefe!

— Como assim, do Jake? Está maluca? Ele é nosso patrão e, pior, ele é lobisomem, fora que é super agressivo. Ele quase me atacou ontem!

Ela exclama com Suzi, que fecha a cara para ela e fala umas coisas que, no momento de raiva, saem.

— E o que isso tem a ver? Eu o amo, sim, e ele não é isso que você fala, não. Não acredito em você e, mais, ele gosta de mim, já me disse isso.

Ana olha para ela e pede desculpas. Ela sabe que Suzi sempre teve uma queda por ele e também sabe que isso é impossível, pois, pelo regramento da empresa, não se pode ter relacionamento com funcionários. Mas Suzi lhe questiona que, se ela pode, por que Suzi não poderia. Ana diz que seus encontros foram liberados pela empresa, mas, para assessorar Josephine, o fato de ela estar apaixonada por Ana não quer dizer nada, pois Ana não está por ela!

— Só irei aos encontros porque o próprio Jake me pediu; caso contrário, não iria. Não quero perder o meu emprego por quebrar regulamento.

Suzi diz que ela também não, que não falará para Jake, mas que queria que ela soubesse. Então as duas ficam bem e, olhando para o relógio, Ana sabe que está na hora de ir embora trabalhar! As duas levantam e vão se arrumar; hoje entram mais tarde, pois é domingo e fazem meio período na empresa. Ana vai para o seu quarto pensando no bilhete que Josephine lhe dedicou. Ela sorri enquanto põe a roupa que irá para o trabalho hoje, coloca o livro sobre a escrivaninha e, de repente, o vestido que Josephine lhe deu também cai aos seus pés. Ela o pega e olha cada detalhe; é lindo e lembra os olhos dela, quando não estão sedentos de sangue. Ana sorri e se assusta. Ela olha para o vestido e o coloca de volta no guarda-roupa.

— O que estou pensando? Não posso gostar das investidas dela, não gosto dela, não assim. Quem sabe uma amizade, mas que isso não rola!

Ela afirma para si mesma e vai para o trabalho com Suzi, que a espera na porta de casa. Josephine acordou cedo, sim, ela é uma vampira que dorme, pois foi criada antes dos tempos atuais porque sofreu uma mutação, mas "isso é conto para outro dia"! Bom, ela levanta da cama e olha pela janela, o sol brilhando. Ela não pode levar sol na pele diretamente, pois é sensível e tem que passar muito protetor solar. Então se prepara para sair, quando a sua filha, René, entra no quarto, pedindo para conversar sobre o que aconteceu à noite.

— Mãe? A senhora passou bem a noite? Gostaria de saber o que passou ontem.

Josephine olha para a filha e pede que ela sente na cama com ela. As duas estão lado a lado e a vampira começa a explicar-lhe tudo o que ela precisa saber.

— Meu amor, eu não preciso dizer que gosto da Ana mais do que deveria, então ela veio se desculpar e retomamos nosso acordo.

Josephine segue.

— Eu a quero conquistar, quero fazê-la feliz e gostaria de te pedir para ser pelo menos educada com ela!

René diz que não tem problema nenhum com isso, mas que, na cara de Ana, nota-se que ela não gosta dela da mesma maneira e que ela poderá sofrer mais, mas sua mãe diz que sabe que serão apenas cinco encontros e, se não der em nada, ela a deixará em paz e ficará bem, mas que deseja tentar mesmo assim.

— Mãe, se é o que a senhora quer, não vejo problemas, mas, cuidado, eu ficarei de olho e quero conhecê-la melhor também, ok?

Josephine diz que sim e que haverá logo a oportunidade, pois vem um evento em que ela levará Ana e sua filha, assim, se conhecerão melhor. René agradece a confiança e a chama para ir ao trabalho, quando a menina vira para ela e diz que conheceu um íncubo lindo, que o quer apresentar depois.

— Filha, um íncubo? Tem certeza de que dará certo? Eles são um pouco tempestivos sexualmente. Procura saber mais dele, filha, por favor!

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