Devion Santoro
O barulho daquela casa era uma das minhas coisas favoritas no mundo.
Talvez porque durante muitos anos eu tive medo do silêncio.
Silêncio lembrava ausência.
Lembrava saudade.
Lembrava morte.
Mas naquela casa… nunca existia silêncio.
Sempre tinha alguém falando alto.
Alguém brigando.
Alguém rindo.
Alguém correndo.
E naquela manhã não era diferente.
— EU NÃO VOU SAIR ASSIM! — o grito de Anelise ecoou pela cozinha inteira.
Revirei os olhos tomando café tranquilamente.
— Você vai sim