Aurora Gordoma
A dor veio como uma onda.
Forte. Repentina. Cruel.
Eu estava sentada no sofá da sala, tentando respirar normalmente enquanto organizava algumas roupinhas das meninas que Alice havia trazido lavadas e passadas no dia anterior. O ar-condicionado estava ligado, uma música baixa tocava ao fundo e, ainda assim, eu sentia calor.
Muito calor.
Meu corpo inteiro parecia pesado.
As costas doíam.
As pernas estavam inchadas.
E minhas filhas pareciam decididas a fazer uma festa dentro da minh