Capítulo 2

Capítulo 2

A mansão Crawford ergue-se imponente nos arredores de São Francisco, com suas paredes de pedra clara e janelas altas que refletem o pôr do sol. Hugh Crawford, patriarca de 72 anos, convocou os três filhos para uma reunião formal na sala de jantar principal. Nenhum deles ignoraria o chamado, embora nenhum esteja feliz com o motivo.

Mason é o primeiro a chegar. Vestido com um terno escuro impecável, gravata perfeitamente ajustada, ele caminha com passos firmes pelo corredor de mármore. Hugh está sentado à cabeceira da longa mesa de madeira rústica, já com dois copos de whisky na mão.

— Pai — cumprimenta Mason, apertando a mão do homem mais velho com respeito.

— Mason. Sente-se, e tome uma bebida com seu velho.

Eles falam de negócios enquanto o líquido âmbar gira nos copos. Expansão de uma filial no Texas, resultados do último trimestre, uma possível aquisição. Conversa segura, território conhecido. Mason mantém a postura controlada, como sempre, embora a tensão esteja presente em seu maxilar.

A porta se abre novamente. Benny entra com seu jeito descontraído habitual, usando uma camisa de linho branca aberta no peito, calça de grife que custa o salário mensal de um professor comum e sapatos italianos reluzentes. O cabelo castanho-claro está levemente bagunçado, como se tivesse saído direto de uma aula de teatro.

— Pai! — exclama ele, abrindo os braços e dando um abraço forte em Hugh.

O velho sorri, mas logo franze a testa.

— Mais uma vez atrasado. E com essa roupa... Benny, quando vai parar de brincar de professor e assumir um cargo de verdade na empresa? Algo digno do nome Crawford.

Benny ri, servindo-se de uma dose generosa de whisky.

— Ser professor de teatro em Stanford é mais decente do que vender seguros de vida para velhos ricos, pai. Pelo menos eu inspiro jovens.

Hugh balança a cabeça, resignado.

— Esse “seguro” que você tanto despreza é o que paga essas roupas de marca e o carro de luxo que você dirige por aí como se fosse um rockstar.

Benny levanta o copo em um brinde irônico.

— Touché. Mas admita, eu sou o filho mais charmoso. Isso já vale alguma coisa.

Liam é o último a entrar. Usa camisa preta e calça jeans escura, expressão fechada. Mal olha para o pai.

— Oi — murmura ele, seco, sentando-se na cadeira mais afastada.

Hugh tenta puxar conversa por alguns minutos, mas o clima permanece pesado. A ausência da mãe ainda paira sobre aquela casa como um fantasma que se recusa a partir. Faz dez anos desde o acidente de carro, mas para Liam parece que foi ontem.

A campainha toca.

Hugh se levanta, um raro sorriso genuíno aparecendo em seu rosto.

— Deve ser ela.

Quando as portas duplas se abrem, Margot entra na sala. É uma mulher de aproximadamente 45 anos, pele branca, cabelos ruivos ondulados caindo sobre os ombros, olhos azuis grandes e expressivos que transmitem uma tranquilidade quase desarmante. Seu corpo é cheio de curvas generosas, quadris largos, cintura marcada e seios fartos que o vestido elegante azul-marinho não consegue disfarçar completamente. Ao lado dela está Vivien, sua filha de 22 anos, loira platinada, maquiagem impecável e um olhar que imediatamente brilha ao ver os três irmãos idênticos.

— Hugh! — diz Margot com voz aveludada, educada e calorosa. Ela se aproxima e beija o rosto do noivo com carinho.

Hugh sorri orgulhoso.

— Filhos, quero apresentar Margot Sinclair, minha noiva. Em uma semana, ela será oficialmente a nova senhora Crawford e madrasta de vocês. E esta é Vivien, filha dela.

Margot sorri para os três, estendendo a mão com entusiasmo sincero.

— É um prazer enorme conhecer vocês. Hugh me falou tanto... Benny, Mason, Liam. Ouvi maravilhas sobre cada um.

Benny é o primeiro a se aproximar, pegando a mão dela e beijando o dorso com um sorriso safado.

— O prazer é todo nosso, Margot. Bem-vinda à família.

Mason cumprimenta com um aceno educado e firme aperto de mão, medindo-a com olhar analítico.

— Prazer, senhorita Sinclair!

Vivien não disfarça. Seus olhos percorrem os três irmãos com evidente desejo. O mesmo rosto, o mesmo corpo alto e musculoso, apenas pequenas diferenças nos cabelos e expressões. Ela morde o lábio inferior sutilmente.

— Uau... trigêmeos. Hugh não tinha mencionado esse detalhe — comenta ela, voz melosa, estendendo a mão para cada um deles com demora.

Eles se sentam à mesa e logo em seguida, os empregados servem o jantar: salmão ao molho de limão, vinhos selecionados, saladas frescas. A conversa flui. Margot fala com tranquilidade sobre sua vida, seu trabalho como designer de interiores, como conheceu Hugh em um evento de caridade. Ela é educada, atenta, tenta incluir todos na conversa.

Benny mantém o tom leve, fazendo algumas piadas. Mason responde com educação controlada. Liam, porém, permanece em silêncio absoluto, olhando para o prato, girando o whisky no copo sem beber.

Margot nota. Ainda assim, mantém o sorriso.

— Liam... Hugh me contou que você é o braço direito de Mason na empresa. Deve ser incrível trabalhar tão perto do irmão.

Liam não responde de imediato. Apenas dá de ombros.

Hugh, percebendo o desconforto, decide intervir.

— Liam, seja mais solícito. Dê as boas-vindas às duas novas integrantes da família. Elas farão parte da nossa vida agora.

O ar na sala fica mais pesado. Liam levanta o olhar lentamente, os olhos verdes carregados de raiva contida, ele solta o copo com força sobre a mesa.

— Boas-vindas? — Sua voz sai baixa, mas cortante. — Ninguém vai tomar o lugar da minha mãe. Você nunca a amou de verdade, pai. Passou a vida inteira traindo ela, deixando ela deprimida, até o dia em que ela morreu naquele carro. E agora traz uma mulher qualquer e a filha dela para dentro da casa dela? Para o quarto dela?

— Liam! — exclama Hugh, chocado.

Liam se levanta com violência, empurrando a cadeira para trás. O móvel cai com estrondo no chão de madeira.

— Não contem comigo para essa palhaçada. Eu não aceito isso!

Ele sai da sala sem olhar para trás, batendo a porta com força suficiente para fazer os quadros tremerem nas paredes.

O silêncio que se segue é sufocante.

Margot fica visivelmente desconfortável, o rosto pálido, mãos apertadas sobre o colo. Seus olhos azuis grandes demonstram genuína tristeza.

— Eu... sinto muito. Não queria causar isso — murmura ela, voz baixa.

Vivien, ao contrário, se recupera rapidamente. Ela dá de ombros e toma um gole de vinho, os olhos brilhando com um misto de desafio e excitação enquanto observa Benny e Mason.

— Ele vai superar — diz ela, quase casual. — Sempre superam.

Benny troca um olhar rápido com Mason. Há algo calculado no sorriso que surge em seus lábios.

Hugh suspira profundamente, passando a mão pelo rosto envelhecido.

— Ele era muito apegado à mãe. Vai levar tempo. Mas espero que vocês tenham paciência com ele, Margot. Com todos eles.

Margot assente, tentando sorrir novamente.

— Eu entendo. Não vim para substituir ninguém. Só quero fazer parte da família, se me permitirem.

O jantar termina em clima tenso, mas educado. Benny mantém a conversa leve, Mason permanece observador. Vivien, por sua vez, não para de lançar olhares para os dois irmãos presentes — especialmente para Benny, cujo sorriso safado parece responder ao interesse dela.

Mais tarde, quando Margot e Vivien são levadas para os quartos de hóspedes que em breve serão permanentes, Benny encosta-se na parede do corredor, observando as duas subirem as escadas.

Mason para ao lado dele, voz baixa:

— Isso vai ser um problema.

Benny sorri, aquele mesmo sorriso sem pudor.

— Problema? Ou diversão? A ruiva tem curvas interessantes. E a loirinha... olha o jeito que ela nos come com os olhos. Acho que a nova “irmãzinha” já escolheu suas presas.

Mason não responde, mas seus olhos endurecem. Liam aparece no final do corredor, ainda furioso, batendo a porta do próprio quarto com força.

Naquela noite, a mansão Crawford, antes silenciosa em sua dor antiga, ganha novas tensões. Três irmãos idênticos. Uma nova madrasta que deseja ser aceita. Uma jovem loira que mal consegue esconder o desejo. E um ódio latente que promete complicar tudo.

A caçada dentro de casa estava apenas começando.

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