A tela ficou preta tempo demais.
Melina permaneceu imĂłvel diante do notebook aberto, os dedos suspensos no ar como se qualquer movimento pudesse apagar o que acabara de ver. O quarto estava em silĂȘncio absoluto â exceto pelo som distante da cidade, ignorante da implosĂŁo Ăntima que acontecia ali.
Viva.
Helena estava viva.
NĂŁo era um delĂrio.
NĂŁo era montagem barata.
NĂŁo era um truque emocional de Miguel â embora ele tivesse dedos longos o suficiente para tentar algo assim.
Melina conhecia o rosto.
Conhecia o jeito como Helena sustentava o olhar.
Conhecia aquela pausa antes de falar â a mesma que fazia antes de atacar.
O telefone vibrou novamente.
Nenhuma mensagem.
SĂł o peso do que viria.
Clara chegou pouco depois da meia-noite. NĂŁo bateu. Nunca batia quando algo estava errado demais para formalidades.
â Me diz que isso Ă© falso â disse antes mesmo de sentar.
Melina girou o notebook em silĂȘncio.
Clara assistiu ao vĂdeo uma Ășnica vez.
NĂŁo piscou.
NĂŁo com