O despertar não veio com um sobressalto, mas com uma lenta e dolorosa subida à superfície. Amélia sentia o corpo pesado, como se estivesse submersa em chumbo líquido. O cheiro de éter e de produtos de limpeza industrial agredia suas narinas antes mesmo que ela conseguisse abrir as pálpebras. Quando finalmente o fez, a luz branca e fria do teto do Hospital Porto Dias feriu suas pupilas.
Ela piscou, a visão turva focando aos poucos no teto de gesso. O silêncio era preenchido apenas pelo bipe rítm