Dois dias depois, me mudei oficialmente para a mansão.
Cheguei com uma mochila nas costas e duas sacolas reutilizáveis de mercado, uma em cada mão. Dona Carmem abriu a porta, olhou para o que eu trazia, olhou para mim e, com toda aquela delicadeza profissional, perguntou meio confusa:
— Onde está o restante, senhorita?
— O Arthur disse que eu não precisava trazer os móveis.
Ela deu uma risada. Uma risada discreta e bem-educada, típica de quem achava que tinha escutado uma piada.
Não era piada.